Diabetes tipo 2 e resistência a insulina

O que uma mala abarrotada de roupas tem a ver com diabetes tipo 2 e resistência a insulina? Vamos descobrir?

Do mesmo modo que a mala da foto acima está cheia de roupas, sendo praticamente impossível colocar mais uma peça de roupa dento da mala… no corpo do paciente diabético tipo 2, as células estão cheias de glicose, sendo praticamente impossível colocar mais glicose para dentro da célula! Consequência disto? A glicose no seu sangue fica elevada, o que vai levar às complicações do diabetes: maior risco de infarto, angina, acidente vascular cerebral, perda da visão, hemodiálise, amputações, entre outras complicações.

Vamos entender como o processo ocorre.

No início, em uma célula normal, há pouca glicose, assim, ao ingerirmos um carboidrato, que gera glicose na corrente sanguínea, esta passará com facilidade para dentro da célula, e o nível de insulina no sangue fica em nível normal. É o equivalente a quando vamos arrumar a mala para viajar, no início quando ela está vazia não há dificuldade para colocar cada peça de roupa lá dentro.

Com o passar do tempo, se a pessoa alimenta-se com muito carboidrato, que gera muita glicose, as células passam a acumular muita glicose dentro delas, até que pode chegar um momento onde a glicose não entra com facilidade na célula. Seria igual uma mala que já está cheia de roupas, já teremos dificuldade de colocar mais roupa lá dentro e conseguir fechar a mala… Como as células já estão cheias de glicose, a glicose aumenta no sangue, que sinaliza ao pâncreas para liberar mais e mais insulina para fazer a glicose entrar na célula. Às vezes isto é suficiente, porém até um certo limite, momento no qual a glicose não consegue mais entrar na célula apesar do excesso de insulina no sangue… É isto que chamamos de resistência a insulina, a situação onde a produção de insulina pelo pâncreas está muito elevada, porque as células já não consegue colocar a glicose para dentro das células com nível de insulina normal, ou seja, as células estão resistindo a ação da insulina. Se este processo demorar muitos meses a anos a glicose ficará constantemente elevada e só então a pessoa será diagnosticada como diabético. Ou seja, a pessoa não vai dormir uma noite saudável e acorda na manhã seguinte com glicemia acima de 126 mg/dL! Este processo demora anos! Então porque esperar ser diagnosticado como diabético para tratar? Converse com seu médico sobre seu risco de ter resistência insulínica…

A resistência a insulina é o equivalente a mala muito cheia de roupa, onde devemos fazer um esforço enorme para colocar mais roupa dentro da mala e conseguir fechar. O diabético tipo 2 seria o equivalente a não conseguir fechar a mala apesar de 1 ou 2 pessoas sentarem na mala para tentar fechar-la.

Em termos de tratamento existem algumas opções disponíveis, tanto medicamentosa como mudança de estilo de vida. Acho que mudar o estilo de vida tem que fazer parte do tratamento. Já que o problema é excesso de glicose dentro da célula, que veio do sangue, que veio do que você comeu, que tal reduzir a ingestão de carboidratos? Faz sentido para você também? Para mim faz todo sentido e é este estilo alimentar que sigo, o que me permite manter minha glicemia, hemoglobina glicada e nível de insulina na faixa normal, sem nenhuma outra intervenção. Mas o que fazer com o excesso de glicose que já está acumulado nas células e no sangue? Gaste este excesso com alguma atividade física, simples, prazerosa para você, não precisa correr uma maratona para isto…

Encerro com a sugestão de você conversar com seu médico sobre a realização de exames mais detalhados do perfil glicêmico no seu próximo check-up. Hemoglobina glicada e dosagem de insulina com índice HOMA IR, uteis na pesquisa de resistência a insulina, podem nos indicar sobre seu risco de torna-se diabético no futuro e servir como estímulo para você mudar seu estilo de vida.

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