Diabetes Não!

Plagiando um pouco o momento eleitoral aqui no Brasil escrevo hoje sobre um insights nas leituras que tenho feito ultimamente, em especial da New England Journal of Medicine.

Na edição do dia 18/10/2018 há a publicação de alguns estudos de prevenção primária. O que é isto? É avaliar se algo que você faz evita que algo venha acontecer pela primeira vez, por exemplo, um infarto. Já a prevenção secundária é fazer algo para evitar que alguma doença, por exemplo, um infarto ou acidente vascular cerebral, venha acontecer pela segunda ou terceira vez. A intervenção utilizada e pesquisada nestes estudos foi o uso de aspirina 100 mg ao dia.

Um dos estudos publicados, o ASCEND Study, avaliou se administrar aspirina 100 mg ao dia reduziria o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório, ou morte por alguma causa vascular, desde que não seja por hemorragia, em pacientes diabéticos que não tinham doença cardíaca conhecida.

Por que foi realizado este estudo? Porque o paciente diabético tem um risco de problema cardíacovascular ou neurovascular 3 a 4 vezes maior que pacientes sem diabetes. Como aspirina já está consagrada como benéfica para prevenção secundária e havia dúvida se seria benéfica para prevenção primária em diabéticos sem problemas cardiovasculares realizaram esta pesquisa.

Resultado da pesquisa, depois de 7,4 anos: o uso de aspirina 100 mg ao dia por diabéticos, sem problemas cardíacos prévios, teve uma redução de risco de 12%.

Que bom! Vamos comemorar e passar aspirina para todos os diabéticos sem problema cardíaco conhecido? Não!!!!! Os diabéticos que usaram a aspirina tiveram um aumento de sangramento de 29%!!! Ou seja, o risco de hemorragia não compensava o benefício. E para uma pessoa se beneficiar com o uso da aspirina foi necessário que 91 pessoas tomassem a medicação por 7,4 anos.

Mas por que o título do artigo é #Diabetesnão!?

Porque o diabetes, em especial o tipo 2, é uma doença nutricional! Ou seja, hábitos alimentares focados em carboidratos simples, tem tornado a população obesa ou com sobrepeso! Neste estudo, por exemplo, somente 14% tinham o peso normal, considerando o IMC<25. Oitenta e seis porcento estavam acima do peso. Como o excesso de peso, a resistência a insulina e diabetes, andam juntos, se a pessoa tiver um estilo de vida saudável, alimentação com pouco carboidrato simples, dormir bem, praticar atividade física regulamente, ela reduziria o peso. Reduzido o peso é possível evitar ou adiar o início do diabetes e ter um risco de evento cardíaco 4 vezes maior que a população sem diabetes.

Assim, se você tem excesso de peso ou já sabe ter resistência insulínica ou diabetes converse com seu médico de confiança para implementar mudanças no seu estilo de vida! Tratamento medicamentoso, sem estilo de vida saudável,  pode melhorar alguns pontos, mas também pode piorar outros

Por isto #DiabetesNão!

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