Dieta Mediterrânea suplementada com azeite de oliva extra-virgem ou castanhas pode prevenir doença cardiovascular!

Esta é a conclusão do estudo PREDIMED, publicado na conceituada revista médica New England Journal of Medicine em 21 de junho de 2018.

Estudos observacionais tinham mostrado que a dieta Mediterrânea, caracterizada pela grande ingestão de azeite de oliva, frutas, castanhas e vegetais, moderada de peixe e aves, e baixa de ingestão de carne processada e açúcar, além da ingestão de vinho moderada, estava associada com menor risco cardiovascular, sendo por isto considerada a dieta modelo para proteção contra doença cardiovascular, que é a principal causa de morte ou restrição da qualidade de vida da maior parte da população.

O estudo PREDIMED foi realizado na Espanha. Participaram 7.447 homens (55 a 80 anos) e mulheres (60 a 80 anos) sem doença cardiovascular conhecida, em média com 67 anos, IMC de 29,9, que tinham diabetes tipo 2 (49%) ou 3 fatores de risco (tabagismo – 14%, hipertensão – 82,5%, colesterol LDL elevado e/ou colesterol HDL baixo – 72%, sobrepeso ou obesidade ou história familiar precoce para doença coronária -22%), ou seja, alto risco para doença cardiovascular, selecionados aleatoriamente para seguir uma de 3 dietas: Mediterrânea suplementada com azeite de oliva extra-virgem, Mediterrânea suplementada com castanhas e dieta controle (pouca gordura).

O grupo selecionado para dieta Mediterrânea suplementada com o azeite de oliva extra-virgem recebeu o azeite com a recomendação de consumir 4 colheres de sopa ao dia. O grupo selecionado para dieta Mediterrânea com castanhas recebeu 30 gramas de castanhas variadas para consumir diariamente. O grupo da dieta normal recebeu pequenos presentes que não eram alimentos. Não houve restrição quanto a quantidade de calorias ingeridas e nem não receberam orientações quanto a realizar atividade física.

O objetivo do estudo era avaliar se ocorreria diferença no número de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte de causa cardiovascular entre as 3 dietas, chamamos isto de end point primário. O end point secundário eram os itens acima mais morte por qualquer causa.

Os participantes foram acompanhados por 4,8 anos em média. Os 3 grupos eram homogêneos quanto ao uso de medicamentos para as doenças que possuiam. Por tratar-se apenas de intervenção dietética não ocorreu efeito adverso significativo em nenhum dos grupos. A redução de risco do end point primário foi de 30% para a dieta Mediterrânea suplementada com azeite de oliva ou castanha quando comparado com a dieta baixa em gordura. No grupo da dieta Mediterrânea ocorreu redução de risco de acidente vascular cerebral de 42%, infarto do miocárdio de 20% e morte por causa cardiovascular de 20%.

Quanto mais os participantes aderiram a dieta Mediterrânea, menor o risco de doença cardiovascular.

No post anterior escrevi sobre a redução no número de fraturas em pacientes com osteoporose que mais ingerem azeite de oliva extra-virgem quando comparado aos que menos ingerem. Hoje vimos o benefício na prevenção de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e redução das mortes de causa cardiovascular.

Não vejo isto como uma surpresa. Cada célula do nosso corpo, exceto as células que não tem núcleo, como as hemácias, tem o mesmo DNA e demais estruturas de uma célula semelhantes, com mesmas necessidades para desempenhar sua função; ou seja, se algo faz bem para a célula do seu coração não faz sentido achar que fará mal para a célula do seu cérebro.

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Até o próximo post.

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