Diabetes tipo 2 e suas complicações

Diabetes é uma das doenças mais devastadoras que conhecemos. Isto acontece porque a glicose elevada, circulando no sangue, consegue atingir todos os órgãos do corpo, literalmente, da cabeça aos pés.

Segundo a Associação Americana de Diabetes, na sua diretriz publicada agora em 2019, o diagnóstico de diabetes é feito por alguma das alterações abaixo:

  1. Glicemia ≥ 126 mg/dL com jejum de pelo menos 8 horas; ou
  2. Glicemia ≥ 200 mg/dL no teste de tolerância a glicose que consiste na ingestão de um suco com 75 g de glicose anidra; ou
  3. Hemoglobina glicada ≥ 6,5 %; ou
  4. Glicemia ≥ 200 mg/dL em paciente com sintomas clássicos de hiperglicemia em dosagem aleatória da glicemia.

Um dos mecanismos que torna o diabetes devastador é o processo que chamamos de glicação. O excesso de glicose na circulação se liga a alguma proteína no corpo prejudicando, ou até acabando, com a função daquela proteína.

Um exemplo de proteína glicada, utilizada até para o diagnóstico e controle do tratamento do diabetes , é a hemoglobina glicada. Uma hemoglobina glicada igual a 8%, por exemplo, significa que a pessoa é diabética e que 8% da hemoglobina presente nas hemácias está ligada moléculas de glicose. Consequência disto? Estas hemácias não transportam mais o oxigênio essencial para o funcionamento das células!

O processo de glicação contribui também para inflamar o corpo e tornar as células mais suscetíveis a dano pelo estresse oxidativo, que contribuirão para acelerar o processo de envelhecimento, diminuindo a expectativa de vida dos diabéticos.

A expectativa de vida reduzida e com qualidade ruim é consequência das complicações microvasculares (dano em vasos pequenos) e macrovasculares (dano em vasos grandes).

As complicações microvasculares mais comuns são citadas abaixo:

Retinopatia diabética. É a principal causa de cegueira nos Estados Unidos. Na retinopatia diabética os vasos da retina se tornam frágeis e há vazamento de sangue na retina, provocando uma reação inflamatória e cicatrização; este processo se repete continuamente até chegar um momento que a pessoa não enxerga mais.

Nefropatia diabética. É uma das principais, talvez a maior, causa de insuficiência renal terminal, aquela que obriga a pessoa fazer hemodiálise para filtrar as toxinas do sangue porque os seus rins param de funcionar, por 3 horas, 3 vezes por semana, por exemplo.

A cada ano 2% dos diabéticos do tipo 2 terão sintomas renais. Em 10 anos estima-se que 25% dos diabéticos tipo 2 terão problemas renais. A notícia ruim é que depois de instalada a nefropatia diabética ela só tende a piorar.

Neuropatia diabética. Outra complicação microvascular comum que pode afetar de 60% a 70% dos diabéticos, sendo mais comum nos que tem diabetes há mais tempo. Geralmente, o comprometimento começa nas extremidades, nos pés, depois as mãos, depois os braços.

A depender do nervo comprometido o diabético pode relatar formigamento, insensibilidade, queimação e/ou dor.

A dor causada pela neuropatia diabética severa é debilitante e costuma piorar à noite, com pouca melhora com analgésicos, mesmo os mais potentes.

Quando a neuropatia diabética compromete os nervos que controlam a respiração, digestão, transpiração e coração, o diabético pode sentir, mais frequentemente, náuseas, vômitos, constipação, diarreia, disfunção erétil e hipotensão, entre outros sintomas. Estas lesões nos nervos, depois de instaladas, também só tendem a piorar, então o melhor tratamento é a prevenção.

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No próximo post falarei sobre as complicações macrovasculares do diabetes tipo 2.

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