Comer ovo pode fazer mal para o coração?

E lá está o ovo de novo no centro de polêmicas.

Um estudo publicado em março de 2019, no JAMA (Journal of the American Medical Association) traz associação entre o consumo de ovos e doença cardiovascular e mortalidade. De acordo com a publicação (que compilou os resultados de seis outros estudos observacionais, com um total de 30.000 americanos e seguimento de 17 anos e meio) a cada 1/2 ovo por dia a mais na dieta representa um aumento de risco de 1,11% no risco de algum evento cardiovascular (como AVC e infarto) e 1,93% a mais de risco de mortalidade. Do total de participantes (aproximadamente 30.000), 5.400 tiveram ao longo dos 17 anos do estudo algum incidente cardiovascular.

Antes de jogar todos os ovos da sua geladeira no lixo, muito cuidado ao interpretar as notícias baseadas nesse tipo de estudo. Nesse em particular, há algumas limitações na metodologia utilizada que tornam necessária uma análise mais cuidadosa. Primeiro, o estudo levou em consideração no seu início (ou seja, há 17,5 anos) o recordatório alimentar dos participantes (ou seja, um questionário onde pergunta-se ao participante o que ele em geral costuma comer) e no seu segmento (o período de 17,5 anos em média de estudo) não foi mais analisada a dieta dos participantes. É algo como supor que a forma que você se alimentava há 17 anos atrás continuou exatamente igual até hoje.

Outra questão envolve o tipo de estudo – estudos observacionais não tem como concluir causa e efeito (no caso, não poderia dizer que o consumo de ovo causa doença cardiovascular) mas somente associação.

Outros trabalhos com grupos maiores sobre consumo de ovo já foram realizados e não chegaram a mesma conclusão – um realizado na China, com aproximadamente meio milhão de pessoas, mostrou que o consumo de um ovo ao dia na verdade reduzia o risco de doença cardiovascular.

Como todo estudo na área alimentar, sempre há grande repercussão e muitas interpretações equivocadas. 

O que acaba valendo, como para tudo na alimentação e na vida, é moderação.

Referências:
Zhong VW, Van Horn L, Cornelis MC, et al. Associations of Dietary Cholesterol or Egg Consumption With Incident Cardiovascular Disease and Mortality. JAMA. 2019;321(11):1081–1095. doi:10.1001/jama.2019.1572

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