Gordura saturada não é tão ruim assim

No mês de agosto foi publicada no JACC (Journal of American College of Cardiology) uma excelente revisão das evidências sobre o consumo de gordura saturada e efeitos na saúde, em especial o impacto nas doenças cardiovasculares. E a conclusão é que não há boas evidências nos estudos clínicos que justifiquem restringir o consumo de gordura saturada. Ou seja, as recomendações de limitar o consumo de gorduras saturadas são opiniões de “especialistas”, não são baseadas em bons estudos científicos.

Há vários anos essa demonização da gordura saturada já vem sendo questionada por alguns pesquisadores médicos e não médicos. Um livro muito interessante que contesta a crença que gordura saturada é a causa de vários males cardíacos é o Gordura Sem Medo, onde uma jornalista se debruça sobre vários estudos, realiza entrevistas com pesquisadores e mostra os erros metodológicos e de interpretação que levaram a este mito.

O abstrat do artigo do JACC resumiu de maneira bastante clara e direta o que as evidências mostram: gordura saturada não deve ser evitada indiscriminadamente, talvez em alguns grupos específicos. Ele cita:

“A recomendação em limitar a ingestão de ácidos graxos saturados (AGF) na dieta persiste apesar da quantidade de evidências contrárias. As mais recentes meta-análises de estudos randomizados e estudos observacionais não acharam nenhum efeito benéfico da redução da ingestão de AGF nas doenças cardiovasculares e mortalidade total, e em vez disto encontrou efeitos protetores contra o acidente vascular cerebral. Embora o aumento de AGF aumente o colesterol LDL, na maioria dos indivíduos, isto não é devido aumento nos níveis de partículas pequenas de LDL, ao contrário é de partículas grandes, que são menos relacionadas com risco de doença cardíaca… Leite integral e derivados, carne não processada e chocolate amargo são ricos em AGF com uma matrix complexa que não está associada com aumento do risco de doença cardiovascular. A totalidade das evidências disponíveis não suportam limitar a ingestão de tais alimentos.”

O estudo PURE publicado em 2017, após avaliar 135.000 pessoas sem doenças de 18 países dos 5 continentes, mostrou que o aumento do consumo de gorduras estava associado a menor risco de morte e tinha uma associação neutra com doença cardiovascular. Em contraste, uma dieta rica em carboidratos estava associada com maior risco de morte, mas não com risco de doença cardiovascular. Este estudo também demonstrou que quem mais consumia gordura saturada tinha um menor risco de acidente vascular cerebral.

Assim na próxima vez que você escutar que redução isolada da ingestão de gordura saturada seria benéfica desconfie e busque mais informações.

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