Pantoprazol não reduz mortes na UTI em pacientes graves!

Esta é a conclusão do estudo SUP-ICU publicado hoje na conceituada revista New England Journal of medicine.

Esta pesquisa foi realizada para esclarecer se usar pantoprazol em pacientes graves internados em caráter de emergência em UTIs da Europa, reduziria o número de mortes em 90 dias. Pesquisa anterior já sugeria que não teria benefício, mas mesmo assim realizou-se esta pesquisa. Esta pesquisa não foi patrocinada pela indústria farmacêutica.

Participaram 3298 pacientes internados  em UTI em caráter de emergência com fatores de risco para desenvolver sangramento intestinal, que eram usar ventilação mecânica, ter distúrbio de coagulação, insuficiência hepática ou renal, foram randomizados para receber pantoprazol 40 mg na veia ou placebo. Neste tipo de paciente há maior risco de infecção por Clostridium difficile, pneumonia e infarto do miocárdio, segundo pesquisas anteriores, o seria responsável pela perda de benefício do remédio. Vale ressaltar que este tipo de medicação não é aprovada pelo FDA (anvisa dos Estados Unidos) para ser usado como prevenção de sangramento gástrico.

Resultados:

Receberam pantoprazol 1645 pacientes e placebo 1653 pacientes. No grupo que recebeu pantoprazol morreram 510 pacientes (31,1%) e no grupo placebo morreram 499 (30,4%), diferença que não obteve significância estatística. Curiosamente, quanto mais grave o paciente pela classificação SAPS II mais pacientes faleceram no grupo que usou pantoprazol.

Assim surge a dúvida: se pantoprazol não reduziu a mortalidade em pacientes graves, com fatores de risco para sangramento gástrico, será que tem benefício em pessoas saudáveis que fazem uso como “prevenção de gastrite e úlcera”?

Esta pesquisa não avaliou esta situação… mas acho que também não teria benefício.

Além disso vejam a relação de efeitos adversos segundo o site epocrates.com:

nefrite, pancreatite, fraturas, perda de sódio e magnésio, lupus, piora da função hepática e renal, dor de cabeça, diarréia, dor abdominal, náusea, vômito, febre, gases, artralgia, deficiência de vitamina B12, pólipos no estômago, e várias outras possibilidades.

Ler bula de remédio às vezes assusta…

Você toma pantoprazol ou medicação semelhante?

Converse com seu médico para avaliar se você realmente precisa deste tipo de medicação, se terá algum benefício para sua saúde.

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Tem alguma sugestão de assunto para as próximas postagens? Escreva lá no
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Até o próximo post.

Como passar por Dezembro sem engordar?!

Estamos chegando ao fim de 2018! Dezembro, mês rico em confraternizações do trabalho, escola ou universidade, família e as famosas ceias de Natal e Réveillon.

Comida e bebida farta, uma tentação para comermos mais do que precisamos e como resultado ganho de alguns quilos na balança que nem sempre serão fáceis de eliminar. E caso esta história se repita a cada ano a numeração da roupa só tende a aumentar…

O problema não é somente estético, é também prejudicial para a saúde, haja vista que quanto mais gordura acumulamos, maior o nível de substâncias inflamatórias circulantes, o que leva a danos para nossa saúde.

Mas saiba que é possível passar por Dezembro sem engordar e sem abrir mão das confraternizações com os amigos e amigas!

Uma das estratégias é através do jejum intermitente. Jejum intermitente é você abrir mão conscientemente de alimentar-se, ou seja, você determina que só irá alimentar-se após, por exemplo, 16 horas sem alimentar-se.

Difícil? Não!!! Se você jantar às 20:00 horas, pular o café-da-manhã do dia seguinte e almoçar às 12:00 horas você ficou de jejum 16 horas.

Há vários protocolos de jejum intermitente:  alguns ficam 16 horas sem alimentar-se, outros 20 ou 24 horas, uns praticam o jejum intermitente uma vez por semana, outros 2 ou mais dias da semana.

Estudos demonstram que o jejum intermitente é mais tolerável a longo prazo do que restringir a quantidade de calorias todos os dias, como fazem boa parte das dietas. Isto ocorre porque neste último você precisa ficar contando toda e qualquer caloria que você ingerir, o dia todo e todos os dias. Se torna estressante.

No jejum intermitente você simplesmente não come por um período determinado por você e nos demais períodos come normalmente. Importante ressaltar a necessidade de manter um balanço adequado entre as proteínas, gorduras e carboidratos complexos na dieta, tanto nas refeições no dia do jejum, quanto nos dias de alimentação normal.

Além de reduzir o peso, há melhora em vários parâmetros da saúde, como por exemplo, aumento do HDL (colesterol bom), redução dos triglicérides, da insulina e da glicose, e redução do LDL (colesterol ruim). Ou seja, ocorre redução do risco cardiovascular e  metabólico. Estudos sugerem melhoras também na memória, redução do risco de câncer e melhora da resposta ao tratamento do câncer, e melhora da flora intestinal, que leva entre outras coisas a melhor digestão.

Algo que faço diariamente, inclusive nos dias de jejum, é tomar um suplemento com algumas vitaminas e minerais. Como não sei se o agricultor tem reposto todos os nutrientes do solo onde ele planta os vegetais que consumimos em casa, optei por repor estes suplementos. Não podemos esquecer também do ômega 3! Importantíssimo para nossa saúde! Escrevi aqui sobre o resultado de grande estudo do ômega 3.

Caso esteja pensando como implementar o jejum intermitente este mês para evitar engordar e melhorar sua saúde converse com seu médico ou nutricionista de confiança para orientá-lo. Até o próximo post.

Vitamina D tem papel na prevenção cardiovasular? E na prevenção de câncer?

Neste post vou abordar a conclusão do estudo VITAL apresentado no Congresso da American Heart Association, um dos maiores congressos da cardiologia realizado agora em novembro/2018, e publicado no mesmo dia da sua apresentação no congresso na conceituada revista médica New England Journal of Medicine. Este estudo avaliou o efeito da suplementação de uma dose fixa de vitamina D de 2000 UI ao dia, sem meta a ser alcançada, dose fixa de ômega 3 1g por dia, e placebo de um de ambos. Este post é sobre o uso da vitamina D 2000 UI. Para saber sobre os dados do ômega 3 acesse o post anterior aqui.

Por que este estudo foi feito?

Estudos observacionais mostram que em regiões mais ensolaradas, onde há maior produção de vitamina D, a mortalidade por câncer e doença cardiovascular são menores. Estes estudos também mostram que quanto mais baixo os níveis de vitamina D maior o risco de câncer e doença cardiovascular.

Neste estudo, 25.871 pessoas, sem problemas cardiovasculares ou de câncer prévios, 51% deles mulheres com mais de 55 anos e 49% homens maiores de 50 anos, foram divididos para tomar uma dose fixa de vitamina D de 2000 ui ao dia ou placebo (cápsula com aparência igual, mas sem a vitamina D). A média das idades era 67 anos.

Das 25.871 pessoas do estudo foi coletado sangue para avaliar os níveis de vitamina D em somente 16.956 pessoas (65,5%).

Resultados:

O acompanhamento médio foi de 5,3 anos.  A média das idades era 67,1 anos. Dos participantes, 20% se declararam negros.

Entre os 15.787 participantes que dosaram vitamina D a média foi 30,8 ng/ml. 12,7% tinham valores <20 ng/ml e 32,2% entre 20 e 30 ng/ml. Destes quase 16.000 participantes foi dosado a vitamina D novamente após 1 ano em apenas 1.644 participantes que tomaram a vitamina D 2.000 UI/dia e encontrado valor de 41,8 ng/ml, aumento de quase 40%.

Quanto a incidência de câncer não houve diferença estatística significativa entre os dois grupos. Porém, no grupo que usou vitamina D 2000 UI a mortalidade foi 17% menor, sem significância estatística entre os grupos.

Quanto a incidência de eventos cardiovasculares não houve diferença entre os 2 grupos com esta dose de vitamina D 2000 UI/dia.

Mais um ponto positivo em ter o peso normal: as pessoas que tinham o IMC <25 tiveram um risco 24% menor de ter câncer quando receberam a vitamina D 2000 UI por dia. E quanto mais gordinho maior o risco de ter câncer!

Quais os modos que a Vitamina D pode contribuir na prevenção e, eventualmente, no tratamento do câncer? A vitamina D é capaz de inibir a proliferação da célula cancerígena, tem propriedades anti-inflamatórias, é imunomoduladora (melhora nosso sistema imune para combater a célula cancerígena), é pró-apoptótica (faz com que a célula cancerígena se suicide) e tem efeito anti-angiogênino (não forma novos vasos sanguíneos para o câncer crescer).

Resumo deste estudo: tomar vitamina D 2000 UI/dia reduz, por exemplo, o número de infarto agudo do miocárdio? Não.

E previne câncer? Esta dose de vitamina D 2000 ui pode prevenir sim a incidência de câncer caso a pessoa seja magra, que é ter IMC<25, e também pode reduzir a mortalidade!

Pergunta sem resposta deste estudo: quais os efeitos da vitamina D em doses mais altas? Não sabemos, mais alguns autores defendem doses bem maiores, 5.000 a 10.000 UI por dia, e níveis sanguíneos entre 50 e 100, níveis estes bem maiores do que os atingidos nesta pesquisa que foi de 40.

Você tem níveis de vitamina D adequados?

Tem conseguido manter seu IMC abaixo de 25?

Ômega 3 previne infarto do miocárdio!

Esta é a conclusão do estudo VITAL apresentado no Congresso da American Heart Association, um dos maiores congressos da cardiologia realizado agora em novembro/2018, e publicado no mesmo dia da sua apresentação no congresso na conceituada revista médica New England Journal of Medicine.

Neste estudo, 25.871 pessoas, sem problemas cardiovasculares prévios, 51% deles mulheres com mais de 55 anos e 49% homens maiores de 50 anos, foram divididos para tomar 1 grama de ômega 3 ao dia ou placebo (cápsula com aparência igual, mas sem o ômega 3). A média das idades era 67 anos.

O objetivo primário da pesquisa era avaliar o efeito desta dose de ômega 3 na incidência da soma da ocorrência de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte de causa cardiovascular, chamamos de eventos cardiovasculares maiores.

Após 5,3 anos de acompanhamento médio, o grupo que tomou ômega 3 teve 386 eventos cardiovasculares maiores e o que não tomou o ômega 3 teve 419, não obtendo significância estatística, apesar de ser número menor de eventos. Porém ao analisar itens isolados deste estudo concluímos que, mesmo doses pequenas de ômega 3, 1 grama, como a utilizada nesta pesquisa, ocorreu redução significativa do número total de infarto do miocárdio (145 contra 200, redução de 28%), do número de angioplastia coronária (162 contra 208, redução de 22%), do número total de doença coronária (308 contra 370, redução de 17%) e do número de morte por infarto do miocárdio (13 contra 26, redução de 50%).

O estudo VITAL sugere que o benefício foi maior nas pessoas que consumiam menos de 1,5 porções de peixes por semana e fizeram a suplementação com 1 grama de ômega 3.

A hipótese que ômega 3 confere proteção coronária é biologicamente plausível. Isto ocorre porque o ômega 3 tem efeito antitrombótico (evita formar coágulos), reduz triglicerídeos, reduz a pressão arterial, tem efeito anti-inflamatórios (a doença coronariana é uma doença inflamatória), impede o crescimento da placa aterosclerótica, diminui frequência cardíaca, reduz suscetibilidade a arritmia e aumenta a produção de óxido nítrico no endotélio (que provoca relaxamento da artéria).

Há pesquisadores que sugerem que o benefício do ômega 3 é maior quando se usa doses maiores, por exemplo, até 6 gramas/dia. Infelizmente o estudo VITAL usou uma dose fixa de apenas 1 grama de ômega 3 por dia, não podendo avaliar se esta hipótese é verdade. Neste estudo também não foi avaliado o grau de inflação destes pacientes no início da pesquisa, por exemplo, através da PCR ultrassensível, para avaliar a redução com o uso do ômega 3.

O estudo VITAL também avaliou a incidência de câncer nestes pacientes e não houve diferença significativa. Também foi avaliado efeito de suplementação de vitamina D, mas sobre isto vou abordar em outro post.

E você tem ingerido peixe regularmente rico em ômega 3? São os peixes de água salgada profunda os mais ricos em ômega 3.

Você sabe o que é a medicina funcional?

A Medicina Funcional é uma maneira ampla de atuação do médico. O foco da medicina funcional é tentar determinar como e por que a doença ocorre para implementar medidas para restaurar a saúde, atuando nas causas da doença para cada indivíduo, como também atuando na prevenção das doenças.

Mas você poderia pensar que todo médico já faz isso. Esta seria a maneira ideal, mas nem sempre é assim…

Apenas para exemplificar como as abordagens podem ser diferentes, de uma maneira exagerada: um homem, obeso, sedentário, estressado, com 40 anos de idade, vai no consultório do médico para fazer um check-up, e entre os exames que ele levou, a glicose estava em 130 mg/dL.

Vamos pensar em 2 possibilidades de atuação. Na primeira o médico olha o resultado da glicose, faz o diagnóstico de diabetes melitos tipo 2 e passa medicação para baixar a glicose somente.

Na segunda, que é a maneira da medicina funcional, antes de passar alguma medicação, o médico conversa com o paciente, investiga seus hábitos alimentares que podem ter levado ele a ser obeso e ter esta glicemia elevada (se ingere muitas massas, por exemplo, ou ingere bebidas açucaradas ou ingere cerveja e com qual regularidade e quantidade); investiga a história de doenças que já ocorreram na família para avaliar risco futuro destas mesmas doenças o acometerem; investiga por que ele é estressado; se dorme mal; se tem muitas responsabilidades no trabalho ou financeiras; o sedentarismo é por falta de tempo, ou motivação, ou falta energia; entre outras situações que podem interferir com a saúde daquele individual.

Só após avaliar todos estes fatores ele vai elaborar a melhor estratégia de acompanhamento e tratamento, por exemplo, restringindo a ingestão de carboidratos simples, processados, ingestão de bebidas calóricas, orientando como combater o estresse, otimizando a qualidade do sono e orientando sobre alguma prática de esporte. E, claro,  em alguns casos vai prescrever medicação.

Assim, o modelo da Medicina Funcional é uma abordagem individualizada, centrada no paciente, baseada na ciência, que permite que os pacientes e médicos trabalhem juntos para abordar as causas subjacentes da doença e promover um bem-estar ideal. Isso requer uma compreensão detalhada dos fatores genéticos, bioquímicos e de estilo de vida de cada paciente e aproveita esses dados para direcionar planos de tratamento personalizados que levam a melhores resultados para os pacientes.

Ao abordar a causa raiz da doença e não os sintomas, os profissionais se orientam a identificar a complexidade da doença. Eles podem achar que uma condição tem muitas causas diferentes e, do mesmo modo, uma causa pode resultar em muitas condições diferentes. Como resultado, o tratamento da Medicina Funcional visa as manifestações específicas da doença em cada indivíduo.

E você já teve alguma experiência com médico funcional? Deixe seu comentário.

Até o próximo post.

Diabetes Não!

Plagiando um pouco o momento eleitoral aqui no Brasil escrevo hoje sobre um insights nas leituras que tenho feito ultimamente, em especial da New England Journal of Medicine.

Na edição do dia 18/10/2018 há a publicação de alguns estudos de prevenção primária. O que é isto? É avaliar se algo que você faz evita que algo venha acontecer pela primeira vez, por exemplo, um infarto. Já a prevenção secundária é fazer algo para evitar que alguma doença, por exemplo, um infarto ou acidente vascular cerebral, venha acontecer pela segunda ou terceira vez. A intervenção utilizada e pesquisada nestes estudos foi o uso de aspirina 100 mg ao dia.

Um dos estudos publicados, o ASCEND Study, avaliou se administrar aspirina 100 mg ao dia reduziria o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório, ou morte por alguma causa vascular, desde que não seja por hemorragia, em pacientes diabéticos que não tinham doença cardíaca conhecida.

Por que foi realizado este estudo? Porque o paciente diabético tem um risco de problema cardíacovascular ou neurovascular 3 a 4 vezes maior que pacientes sem diabetes. Como aspirina já está consagrada como benéfica para prevenção secundária e havia dúvida se seria benéfica para prevenção primária em diabéticos sem problemas cardiovasculares realizaram esta pesquisa.

Resultado da pesquisa, depois de 7,4 anos: o uso de aspirina 100 mg ao dia por diabéticos, sem problemas cardíacos prévios, teve uma redução de risco de 12%.

Que bom! Vamos comemorar e passar aspirina para todos os diabéticos sem problema cardíaco conhecido? Não!!!!! Os diabéticos que usaram a aspirina tiveram um aumento de sangramento de 29%!!! Ou seja, o risco de hemorragia não compensava o benefício. E para uma pessoa se beneficiar com o uso da aspirina foi necessário que 91 pessoas tomassem a medicação por 7,4 anos.

Mas por que o título do artigo é #Diabetesnão!?

Porque o diabetes, em especial o tipo 2, é uma doença nutricional! Ou seja, hábitos alimentares focados em carboidratos simples, tem tornado a população obesa ou com sobrepeso! Neste estudo, por exemplo, somente 14% tinham o peso normal, considerando o IMC<25. Oitenta e seis porcento estavam acima do peso. Como o excesso de peso, a resistência a insulina e diabetes, andam juntos, se a pessoa tiver um estilo de vida saudável, alimentação com pouco carboidrato simples, dormir bem, praticar atividade física regulamente, ela reduziria o peso. Reduzido o peso é possível evitar ou adiar o início do diabetes e ter um risco de evento cardíaco 4 vezes maior que a população sem diabetes.

Assim, se você tem excesso de peso ou já sabe ter resistência insulínica ou diabetes converse com seu médico de confiança para implementar mudanças no seu estilo de vida! Tratamento medicamentoso, sem estilo de vida saudável,  pode melhorar alguns pontos, mas também pode piorar outros

Por isto #DiabetesNão!

AAS infantil faz bem para todas as pessoas?

 

 

Não… É o que concluiu estudo publicado dia 18/10/2018 na conceituada revista médica New England Journal of Medicine.

Não resta dúvida que a aspirina é benéfica em pessoas que já sofreram infarto ou isquemia cerebral, por exemplos.

Porém havia dúvida se também beneficiaria pessoas idosas saudáveis. Para esclarecer esta dúvida, mais de 19000 australianos e americanos, saudáveis, com 70 anos ou mais, foram divididos para tomar aspirina 100 mg uma vez ao dia, ou comprimido de placebo (comprimido com tamanho e cor igual ao da aspirina, mas que não tinha a medicação testada).

Ao final de 5 anos tomando a medicação tanto as pessoas que tomaram a aspirina como as que tomaram só o placebo tiveram problemas de saúde semelhantes, ou seja, não fez diferença nenhuma tomar aspirina tanto tempo. Porém a ocorrência de hemorragias, foi 38% maior nas pessoas que tomaram a aspirina…

Então não saia por aí tomando medicação sozinho, converse sempre com seu médico antes de tomar qualquer medicação.

Diabetes tipo 2 e resistência a insulina

O que uma mala abarrotada de roupas tem a ver com diabetes tipo 2 e resistência a insulina? Vamos descobrir?

Do mesmo modo que a mala da foto acima está cheia de roupas, sendo praticamente impossível colocar mais uma peça de roupa dento da mala… no corpo do paciente diabético tipo 2, as células estão cheias de glicose, sendo praticamente impossível colocar mais glicose para dentro da célula! Consequência disto? A glicose no seu sangue fica elevada, o que vai levar às complicações do diabetes: maior risco de infarto, angina, acidente vascular cerebral, perda da visão, hemodiálise, amputações, entre outras complicações.

Vamos entender como o processo ocorre.

No início, em uma célula normal, há pouca glicose, assim, ao ingerirmos um carboidrato, que gera glicose na corrente sanguínea, esta passará com facilidade para dentro da célula, e o nível de insulina no sangue fica em nível normal. É o equivalente a quando vamos arrumar a mala para viajar, no início quando ela está vazia não há dificuldade para colocar cada peça de roupa lá dentro.

Com o passar do tempo, se a pessoa alimenta-se com muito carboidrato, que gera muita glicose, as células passam a acumular muita glicose dentro delas, até que pode chegar um momento onde a glicose não entra com facilidade na célula. Seria igual uma mala que já está cheia de roupas, já teremos dificuldade de colocar mais roupa lá dentro e conseguir fechar a mala… Como as células já estão cheias de glicose, a glicose aumenta no sangue, que sinaliza ao pâncreas para liberar mais e mais insulina para fazer a glicose entrar na célula. Às vezes isto é suficiente, porém até um certo limite, momento no qual a glicose não consegue mais entrar na célula apesar do excesso de insulina no sangue… É isto que chamamos de resistência a insulina, a situação onde a produção de insulina pelo pâncreas está muito elevada, porque as células já não consegue colocar a glicose para dentro das células com nível de insulina normal, ou seja, as células estão resistindo a ação da insulina. Se este processo demorar muitos meses a anos a glicose ficará constantemente elevada e só então a pessoa será diagnosticada como diabético. Ou seja, a pessoa não vai dormir uma noite saudável e acorda na manhã seguinte com glicemia acima de 126 mg/dL! Este processo demora anos! Então porque esperar ser diagnosticado como diabético para tratar? Converse com seu médico sobre seu risco de ter resistência insulínica…

A resistência a insulina é o equivalente a mala muito cheia de roupa, onde devemos fazer um esforço enorme para colocar mais roupa dentro da mala e conseguir fechar. O diabético tipo 2 seria o equivalente a não conseguir fechar a mala apesar de 1 ou 2 pessoas sentarem na mala para tentar fechar-la.

Em termos de tratamento existem algumas opções disponíveis, tanto medicamentosa como mudança de estilo de vida. Acho que mudar o estilo de vida tem que fazer parte do tratamento. Já que o problema é excesso de glicose dentro da célula, que veio do sangue, que veio do que você comeu, que tal reduzir a ingestão de carboidratos? Faz sentido para você também? Para mim faz todo sentido e é este estilo alimentar que sigo, o que me permite manter minha glicemia, hemoglobina glicada e nível de insulina na faixa normal, sem nenhuma outra intervenção. Mas o que fazer com o excesso de glicose que já está acumulado nas células e no sangue? Gaste este excesso com alguma atividade física, simples, prazerosa para você, não precisa correr uma maratona para isto…

Encerro com a sugestão de você conversar com seu médico sobre a realização de exames mais detalhados do perfil glicêmico no seu próximo check-up. Hemoglobina glicada e dosagem de insulina com índice HOMA IR, uteis na pesquisa de resistência a insulina, podem nos indicar sobre seu risco de torna-se diabético no futuro e servir como estímulo para você mudar seu estilo de vida.

Como melhorar o sono e sua saúde.

Na postagem anterior comentei o quanto dormir bem pode melhorar a saúde sexual. Saiba que a falta de sono pode comprometer a nossa saúde como um todo. Há uma pesquisa que mostrou que as pessoas que dormem menos de 6 horas por noite tem um risco de morte 12% maior do que as pessoas que dormem mais de 6 horas por noite ao longo de 25 anos. Por que estas pessoas morrem mais? Porque elas são mais propensas a serem obesas, hipertensas, cardiopatas e terem a imunidade comprometida.

Alguns fatores tem contribuído para estas noites de sono mal dormidas: dormir tarde, ingestão de bebidas cafeinadas à noite, desequilíbrio hormonal – principalmente os produzidos pelas adrenais, má alimentação, ambiente inadequado para dormir, entre outros fatores.

Se você, como eu, quer fazer parte dos que dormem bem e vivem mais, abaixo estão algumas dicas, de fácil implementação, que trarão benefícios enormes para sua saúde!

Vá dormir cedo, preferencialmente, antes das 10 da noite, diariamente, assim você consegue equilibrar a produção e liberação dos hormônios no seu corpo, essenciais para renovar suas células e órgãos, contribuindo assim para uma boa saúde. Isto é o ritmo circadiano.

Durma em um ambiente totalmente escuro! Qualquer luz pode interferir com a produção da melatonina, o hormônio do sono. Então nada de janela aberta permitindo a luz da rua iluminar seu quarto; mantenha a luz do quarto, corredor e banheiro apagadas; cubra a luz dos relógios digitais para que o ambiente que você vai dormir esteja totalmente escuro. E, preferencialmente, nada de assistir televisão, mexer em computador, celular ou tabletes após 8 da noite! A luz emitida por estes aparelhos inibe a produção de melatonina e atrapalham o sono também!

Tenha contato com a luz solar, quanto mais vezes ao dia melhor, assim ajustamos o ritmo circadiano do nosso corpo. Se tiver oportunidade ande no sol de modo que os raios solares atinjam sua pele para permitir a produção de vitamina D, substância essencial para nossa saúde (em breve farei uma postagem sobre).

Como o ideal é passarmos 8 horas dormindo, nada melhor do que investirmos em um bom colchão, bons lençóis e bons travesseiros. Lave e troque os lençóis e travesseiros regularmente.

Pesquisas sugerem que a melhor temperatura para dormir é em torno de 20°C. Tomar um banho frio antes de dormir pode ajudar no sono. Ar-condicionado e ventilador também podem ser úteis.

Tente alimentar-se até 7 da noite para que o processo de digestão do alimento não atrapalhe seu sono pelas alterações hormonais que podem ocorrer, principalmente, se esta última refeição é rica em carboidratos. Isto elevaria o nível de insulina, que faria a glicemia baixar, que estimularia a liberação de cortisol para a glicemia voltar ao normal, que interferiria nos níveis de grelina e leptina, fazendo você acordar esfomeado, querendo comer qualquer coisa, contribuindo para você ganhar peso, que contribui para uma série de problemas…

Evite ingestão de café, chás ou qualquer bebida com cafeína após 3 da tarde, para que não exista substância estimulante na circulação quando queremos relaxar.

Evite ingestão de bebida alcoólica antes de dormir, pois apesar do álcool induzir o início do sono, durante o seu metabolismo, ele pode comprometer as fases do sono, diminuindo sua qualidade, levando você a acordar mais cedo.

Você me pergunta: Como avaliar a qualidade do sono de maneira objetiva? Temos a tecnologia para nos auxiliar, através de alguns apps para smartphones, tanto para iphone como androide. Eu uso o SleepCycle. Deixo meu smartphone ao lado do travesseiro, em modo avião para diminuir os efeitos da emissão eletromagnética, e através dos sons que emito ao me mexer ele avalia qual fase de sono eu estou e me informa como foi a  qualidade do meu sono naquela noite, semana, mês, ano ou durante todos os dias que usei o aplicativo. Uma característica interessante desde app é que eu programo a hora que eu quero acordar e ele me acordará na melhor fase para isto.

Também não recomendo fazer atividade física intensa antes de dormir, pois o cortisol pode interferir com o seu sono…

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www.sidneycunha.com.br

É possível energizar a vida sexual?

Enquanto lia uma revista de grande circulação nacional vi um anúncio que dizia “Sexo é vida…”. E tenho tido relato de pacientes a respeito da sua vida sexual, que não tem tanta energia quanto antes, que o desejo pelo parceiro ou parceira diminuiu, que as relações já não são as mesmas… E em decorrência disto a autoestima pode ser comprometida.

Alguns pacientes já tem um culpado: aquele comprimido branco que vem naquela caixa com uma lista vermelha no meio que o cardiologista passou!

E, às vezes, é difícil convencer alguns pacientes que o problema pode ser a obesidade com o excesso de gordura no abdome, que faz com que os níveis de testosterona baixem pela transformação em estrógenos; ou então é a glicemia que está descontrolada, ou anda estressado, dormindo pouco, fumando demais…

Mas não pense que a falta de energia significa o fim de sua vida sexual e que não há nada a ser feito… Há algumas terapias disponíveis. Mas para escolher o melhor tratamento é necessário conhecer as causas. Algumas são físicas, outras emocionais…

Baixa hormonal é uma causa comum desta baixa energia sexual. Por exemplo, nos homens é comum os níveis de testosterona se reduzirem a partir dos 30 ou 35 anos, há uma redução na produção de, aproximadamente, 1% a cada ano que passa, e após os 50 anos esta redução pode ser até mais rápida. Por exemplo: quando a visão começa a piorar podemos usar óculos para trazer a visão ao padrão normal; se a glicemia está elevada, podemos usar uma dieta com menos carboidratos e/ou tomar algumas medicações para trazer a glicose no sangue para os níveis normais. No caso de baixa de testosterona existe a possibilidade de trazer esta testosterona aos níveis normais através de reposição; já está disponível a reposição injetável e tópica através de gel. Converse com seu médico sobre a necessidade de avaliar seu nível de testosterona e eventual tratamento.

A disfunção eréctil é outra causa que diminui a energia e desejo sexual. Isto acontece porque a auto-estima fica comprometida. Há aquele receio de falhar novamente, aí desiste até de tentar, o que pode causar problemas no relacionamento. Uma estratégia é conversar com a parceira sobre o assunto, assim, a “cobrança” diminui. Converse também com seu médico sobre o assunto, pois existem opções terapêuticas que podem ajudar a solucionar esta situação.

Dormir mal é outra fonte de problemas. Sono ruim eleva o estresse e isto pode interferir como o nosso cérebro e corpo armazenam e usam a energia.  Nosso corpo é sábio, se você está cansado, ele vai querer poupar energia, pois o mais importante é sobreviver, sexo e reprodução ficam para depois… Então tente melhorar seu sono, por exemplo, tente dormir e acordar sempre nos mesmos horários, evite ingerir bebidas estimulantes à noite, evite usar computador, tabletes ou celulares antes de dormir, e durma em quarto totalmente escuro.

Sedentarismo é outra causa de falta de energia sexual. Quer ter uma vida sexual mais ativa? Faça mais exercícios! Qual? O que você melhor se adaptar. Pode ser caminhar, correr, pedalar, nadar, dançar, cross fit, entre outras. Descubra qual exercício você mais gosta para poder ser exercitar com sua parceira ou parceiro…

Quando eu era criancinha pequena lá no interior do Ceará escutava falar que quando um não quer dois não brigam. Com relação o sexo é algo parecido: quando um não quer, dois não transam, a relação sexual não acontece, ou pelo menos, não será tão prazerosa quanto seria se os dois estivessem em sintonia, com mesmo nível de energia e desejo sexual. Vejam como Deus, ou se você preferir, como a evolução fez tudo certinho: é justamente no período que a mulher ovula que seu desejo e energia sexual estão com tudo, graças ao ajuste hormonal que acontece neste período. É por isto que após a menopausa a mulher não tem tanto desejo por sexo. E além disto a relação pode ser dolorosa, porque com a baixa hormonal não ocorre lubrificação suficiente. Creio que por isto que muitos homens compreensivos poupam as mulheres de relações dolorosas e assim a energia sexual de ambos diminuem. Como resolver isto? Meu pai me ensinou que é conversando que se entende. Converse com o(a) parceiro(a), converse com seu médico, assim fica mais fácil de manter a chama acesa.

Não deixem a rotina fazer parte da sua vida. Façam coisas novas juntos, como por exemplo, passear no clube, no parque, passar um final de semana só o casal em um hotel, fazer uma viagem romântica.

Um provérbio nos ensina que “na multidão de conselhos há sabedoria”. Então peça conselhos de pessoas especialistas no assunto, que possam orientar nesta área. Sugiro que não valorize os conselhos de pessoas que não entendem nada do assunto e que não conseguem manter um relacionamento de referência para você.

Caso tenha algum comentário escreva abaixo. Se gostou deste texto compartilhe, curta minha página no Facebook ou no Instagram. Assim mais pessoas terão acesso a este e outros textos no meu site. Bom fim de semana.