Complicações do diabetes tipo 2

No post anterior escrevi sobre as complicações microvasculares do diabetes. Hoje escreverei sobre as complicações macrovasculares mais comuns.

Aterosclerose. A aterosclerose é a deposição do colesterol oxidado (modificado) nas artérias que estão inflamadas. Isto leva ao enrijecimento e estreitamento das artérias, reduzindo a chegada de oxigênio e nutrientes para as células irrigadas pela artéria comprometida.

Quando o estreitamento é total ou severo ocorre, por exemplo, o infarto do miocárdio ou angina, no coração, acidente vascular cerebral no cérebro, e a doença vascular periférica nas pernas. O diabético tem um risco muito maior de aterosclerose. Para você compreender mais fácil o quanto o diabetes é grave imagine um paciente sem diabetes que infartou. Pensou? O risco de um diabético ter um primeiro infarto é semelhante ao desta pessoa que já infartou uma vez ter um segundo infarto! Diabetes não é brincadeira! É uma doença silenciosa que quando fala pode ter consequências letais ou incapacitantes!

A aterosclerose vai acontecer em uma região inflamada das artérias. Esta inflamação é favorecida pelo tabagismo, diabetes, estresse, pressão alta e falta de exercícios, ou seja, por situações que você pode mudar através de hábitos de vida saudáveis.

Doenças cardíacas. O infarto do miocárdio é a complicação mais comum e mais temida do diabético. Dados do estudo de Framingham mostram que o diabético tem o dobro de risco de infarto do miocárdio. A maioria dos diabéticos acima de 65 anos morrerá por causa cardíaca ou acidente vascular cerebral. Os demais sobreviventes poderão ser acometidos de incapacitações que restringirão sua qualidade de vida.

Acidente vascular cerebral (AVC). Acontece quando ocorre a obstrução da artéria que irriga o cérebro. Dependendo da artéria comprometida os sintomas variam. Alguns podem apresentar dificuldade para falar, outros para movimentar um lado do corpo, outros perdem a consciência, outros perdem a sensibilidade… O diabético tem um risco 150% maior de apresentar AVC.

Doença vascular periférica. É a obstrução nas artérias que irrigam as pernas causada pela aterosclerose. Geralmente provoca dor, por exemplo, nas panturrilhas, ao caminhar, podendo levar ao longo dos anos a incapacitação. Também contribui para dificuldade de cicatrização de ferimentos nos pés. Se além do diabetes o paciente fumar aí o risco de desenvolver aterosclerose é aumentado ainda mais.

Outras doenças são mais comuns nos diabéticos. O mal de Alzheimer que provoca perda da memória, mudança de personalidade e problemas cognitivos tem sido chamado de diabetes tipo 3 por alguns pesquisadores devido a íntima relação entre diabetes e Alzheimer.

A esteatose hepática também tem sido relacionada com diabetes.

Maior facilidade de ser acometido por infecções, tanto bacterianas como por fungos.

Disfunção erétil é três vezes mais comum nos homens diabéticos do que naqueles não diabéticos. Estima-se que 50% dos homens diabéticos com mais de 50 anos tenham disfunção erétil.

A lista de danos que a glicose elevada, comum nos diabéticos, pode levar é grande. Então converse com seu médico sobre seu risco de tornar-se diabético. A dosagem de glicose no sangue é um dos parâmetros para diagnóstico de diabetes. Para a prevenção há outros exames que seu médico pode solicitar que avaliar o risco de você tornar-se diabético.

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Até o próximo post!

Diabetes tipo 2 e suas complicações

Diabetes é uma das doenças mais devastadoras que conhecemos. Isto acontece porque a glicose elevada, circulando no sangue, consegue atingir todos os órgãos do corpo, literalmente, da cabeça aos pés.

Segundo a Associação Americana de Diabetes, na sua diretriz publicada agora em 2019, o diagnóstico de diabetes é feito por alguma das alterações abaixo:

  1. Glicemia ≥ 126 mg/dL com jejum de pelo menos 8 horas; ou
  2. Glicemia ≥ 200 mg/dL no teste de tolerância a glicose que consiste na ingestão de um suco com 75 g de glicose anidra; ou
  3. Hemoglobina glicada ≥ 6,5 %; ou
  4. Glicemia ≥ 200 mg/dL em paciente com sintomas clássicos de hiperglicemia em dosagem aleatória da glicemia.

Um dos mecanismos que torna o diabetes devastador é o processo que chamamos de glicação. O excesso de glicose na circulação se liga a alguma proteína no corpo prejudicando, ou até acabando, com a função daquela proteína.

Um exemplo de proteína glicada, utilizada até para o diagnóstico e controle do tratamento do diabetes , é a hemoglobina glicada. Uma hemoglobina glicada igual a 8%, por exemplo, significa que a pessoa é diabética e que 8% da hemoglobina presente nas hemácias está ligada moléculas de glicose. Consequência disto? Estas hemácias não transportam mais o oxigênio essencial para o funcionamento das células!

O processo de glicação contribui também para inflamar o corpo e tornar as células mais suscetíveis a dano pelo estresse oxidativo, que contribuirão para acelerar o processo de envelhecimento, diminuindo a expectativa de vida dos diabéticos.

A expectativa de vida reduzida e com qualidade ruim é consequência das complicações microvasculares (dano em vasos pequenos) e macrovasculares (dano em vasos grandes).

As complicações microvasculares mais comuns são citadas abaixo:

Retinopatia diabética. É a principal causa de cegueira nos Estados Unidos. Na retinopatia diabética os vasos da retina se tornam frágeis e há vazamento de sangue na retina, provocando uma reação inflamatória e cicatrização; este processo se repete continuamente até chegar um momento que a pessoa não enxerga mais.

Nefropatia diabética. É uma das principais, talvez a maior, causa de insuficiência renal terminal, aquela que obriga a pessoa fazer hemodiálise para filtrar as toxinas do sangue porque os seus rins param de funcionar, por 3 horas, 3 vezes por semana, por exemplo.

A cada ano 2% dos diabéticos do tipo 2 terão sintomas renais. Em 10 anos estima-se que 25% dos diabéticos tipo 2 terão problemas renais. A notícia ruim é que depois de instalada a nefropatia diabética ela só tende a piorar.

Neuropatia diabética. Outra complicação microvascular comum que pode afetar de 60% a 70% dos diabéticos, sendo mais comum nos que tem diabetes há mais tempo. Geralmente, o comprometimento começa nas extremidades, nos pés, depois as mãos, depois os braços.

A depender do nervo comprometido o diabético pode relatar formigamento, insensibilidade, queimação e/ou dor.

A dor causada pela neuropatia diabética severa é debilitante e costuma piorar à noite, com pouca melhora com analgésicos, mesmo os mais potentes.

Quando a neuropatia diabética compromete os nervos que controlam a respiração, digestão, transpiração e coração, o diabético pode sentir, mais frequentemente, náuseas, vômitos, constipação, diarreia, disfunção erétil e hipotensão, entre outros sintomas. Estas lesões nos nervos, depois de instaladas, também só tendem a piorar, então o melhor tratamento é a prevenção.

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No próximo post falarei sobre as complicações macrovasculares do diabetes tipo 2.

Dieta Mediterrânea suplementada com azeite de oliva extra-virgem ou castanhas pode prevenir doença cardiovascular!

Esta é a conclusão do estudo PREDIMED, publicado na conceituada revista médica New England Journal of Medicine em 21 de junho de 2018.

Estudos observacionais tinham mostrado que a dieta Mediterrânea, caracterizada pela grande ingestão de azeite de oliva, frutas, castanhas e vegetais, moderada de peixe e aves, e baixa de ingestão de carne processada e açúcar, além da ingestão de vinho moderada, estava associada com menor risco cardiovascular, sendo por isto considerada a dieta modelo para proteção contra doença cardiovascular, que é a principal causa de morte ou restrição da qualidade de vida da maior parte da população.

O estudo PREDIMED foi realizado na Espanha. Participaram 7.447 homens (55 a 80 anos) e mulheres (60 a 80 anos) sem doença cardiovascular conhecida, em média com 67 anos, IMC de 29,9, que tinham diabetes tipo 2 (49%) ou 3 fatores de risco (tabagismo – 14%, hipertensão – 82,5%, colesterol LDL elevado e/ou colesterol HDL baixo – 72%, sobrepeso ou obesidade ou história familiar precoce para doença coronária -22%), ou seja, alto risco para doença cardiovascular, selecionados aleatoriamente para seguir uma de 3 dietas: Mediterrânea suplementada com azeite de oliva extra-virgem, Mediterrânea suplementada com castanhas e dieta controle (pouca gordura).

O grupo selecionado para dieta Mediterrânea suplementada com o azeite de oliva extra-virgem recebeu o azeite com a recomendação de consumir 4 colheres de sopa ao dia. O grupo selecionado para dieta Mediterrânea com castanhas recebeu 30 gramas de castanhas variadas para consumir diariamente. O grupo da dieta normal recebeu pequenos presentes que não eram alimentos. Não houve restrição quanto a quantidade de calorias ingeridas e nem não receberam orientações quanto a realizar atividade física.

O objetivo do estudo era avaliar se ocorreria diferença no número de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte de causa cardiovascular entre as 3 dietas, chamamos isto de end point primário. O end point secundário eram os itens acima mais morte por qualquer causa.

Os participantes foram acompanhados por 4,8 anos em média. Os 3 grupos eram homogêneos quanto ao uso de medicamentos para as doenças que possuiam. Por tratar-se apenas de intervenção dietética não ocorreu efeito adverso significativo em nenhum dos grupos. A redução de risco do end point primário foi de 30% para a dieta Mediterrânea suplementada com azeite de oliva ou castanha quando comparado com a dieta baixa em gordura. No grupo da dieta Mediterrânea ocorreu redução de risco de acidente vascular cerebral de 42%, infarto do miocárdio de 20% e morte por causa cardiovascular de 20%.

Quanto mais os participantes aderiram a dieta Mediterrânea, menor o risco de doença cardiovascular.

No post anterior escrevi sobre a redução no número de fraturas em pacientes com osteoporose que mais ingerem azeite de oliva extra-virgem quando comparado aos que menos ingerem. Hoje vimos o benefício na prevenção de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e redução das mortes de causa cardiovascular.

Não vejo isto como uma surpresa. Cada célula do nosso corpo, exceto as células que não tem núcleo, como as hemácias, tem o mesmo DNA e demais estruturas de uma célula semelhantes, com mesmas necessidades para desempenhar sua função; ou seja, se algo faz bem para a célula do seu coração não faz sentido achar que fará mal para a célula do seu cérebro.

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Até o próximo post.

Azeite de oliva pode reduzir fraturas por osteoporose.

Esta é a conclusão de um subgrupo do estudo PREDIMED que avaliou o efeito do consumo de azeite de oliva extra-virgem sobre a incidência de fraturas em pessoas maiores de 50 anos.. 

Mas o que é a osteoporose?  

É uma doença que pode atingir qualquer osso do corpo, tornando-o menos forte pela perda de minerais, em especial, o cálcio. E quanto mais fraco o osso, maior o risco de fraturas ósseas, por exemplo, no fêmur e vértebras, levando a perda da qualidade de vida da pessoa. O grau mais leve de perda de minerais é chamada osteopenia. 

A osteoporose não atinge só as mulheres, homens também podem ser acometidos por ela. 

Estima-se de até 45% dos homens tem perda óssea na densitometria e que 20% dos homens maiores de 50 anos irão apresentar uma fratura relacionada com a osteoporose. 

Mas como a ingestão de azeite de oliva poderia prevenir as fraturas em pessoas com osteoporose? 

O azeite de oliva atua prevenindo duas causas de osteoporose que são a inflamação e o estresse oxidativo. 

O osso normal está em renovação constante através do equilíbrio entre a degradação e formação óssea. Na pessoa com inflamação e/ou estresse oxidativo este equilíbrio é rompido e a destruição óssea é maior que a formação de novo osso, levando a osteopenia e posteriormente a osteoporose. 

O estudo PREDIMED, publicado em fevereiro de 2018, mostrou que as pessoas que mais consumiam azeite de oliva extra-virgem tiveram uma risco de fraturas 51% menor de fraturas em relação aos que consumiam menos. 

Vários artigos foram publicados com os dados do estudo PREDIMED, inclusive com melhoras significativas para a saúde cardiovascular.

Em breve publicarei mais post aqui no blog.

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Pantoprazol não reduz mortes na UTI em pacientes graves!

Esta é a conclusão do estudo SUP-ICU publicado hoje na conceituada revista New England Journal of medicine.

Esta pesquisa foi realizada para esclarecer se usar pantoprazol em pacientes graves internados em caráter de emergência em UTIs da Europa, reduziria o número de mortes em 90 dias. Pesquisa anterior já sugeria que não teria benefício, mas mesmo assim realizou-se esta pesquisa. Esta pesquisa não foi patrocinada pela indústria farmacêutica.

Participaram 3298 pacientes internados  em UTI em caráter de emergência com fatores de risco para desenvolver sangramento intestinal, que eram usar ventilação mecânica, ter distúrbio de coagulação, insuficiência hepática ou renal, foram randomizados para receber pantoprazol 40 mg na veia ou placebo. Neste tipo de paciente há maior risco de infecção por Clostridium difficile, pneumonia e infarto do miocárdio, segundo pesquisas anteriores, o seria responsável pela perda de benefício do remédio. Vale ressaltar que este tipo de medicação não é aprovada pelo FDA (anvisa dos Estados Unidos) para ser usado como prevenção de sangramento gástrico.

Resultados:

Receberam pantoprazol 1645 pacientes e placebo 1653 pacientes. No grupo que recebeu pantoprazol morreram 510 pacientes (31,1%) e no grupo placebo morreram 499 (30,4%), diferença que não obteve significância estatística. Curiosamente, quanto mais grave o paciente pela classificação SAPS II mais pacientes faleceram no grupo que usou pantoprazol.

Assim surge a dúvida: se pantoprazol não reduziu a mortalidade em pacientes graves, com fatores de risco para sangramento gástrico, será que tem benefício em pessoas saudáveis que fazem uso como “prevenção de gastrite e úlcera”?

Esta pesquisa não avaliou esta situação… mas acho que também não teria benefício.

Além disso vejam a relação de efeitos adversos segundo o site epocrates.com:

nefrite, pancreatite, fraturas, perda de sódio e magnésio, lupus, piora da função hepática e renal, dor de cabeça, diarréia, dor abdominal, náusea, vômito, febre, gases, artralgia, deficiência de vitamina B12, pólipos no estômago, e várias outras possibilidades.

Ler bula de remédio às vezes assusta…

Você toma pantoprazol ou medicação semelhante?

Converse com seu médico para avaliar se você realmente precisa deste tipo de medicação, se terá algum benefício para sua saúde.

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Até o próximo post.

Como passar por Dezembro sem engordar?!

Estamos chegando ao fim de 2018! Dezembro, mês rico em confraternizações do trabalho, escola ou universidade, família e as famosas ceias de Natal e Réveillon.

Comida e bebida farta, uma tentação para comermos mais do que precisamos e como resultado ganho de alguns quilos na balança que nem sempre serão fáceis de eliminar. E caso esta história se repita a cada ano a numeração da roupa só tende a aumentar…

O problema não é somente estético, é também prejudicial para a saúde, haja vista que quanto mais gordura acumulamos, maior o nível de substâncias inflamatórias circulantes, o que leva a danos para nossa saúde.

Mas saiba que é possível passar por Dezembro sem engordar e sem abrir mão das confraternizações com os amigos e amigas!

Uma das estratégias é através do jejum intermitente. Jejum intermitente é você abrir mão conscientemente de alimentar-se, ou seja, você determina que só irá alimentar-se após, por exemplo, 16 horas sem alimentar-se.

Difícil? Não!!! Se você jantar às 20:00 horas, pular o café-da-manhã do dia seguinte e almoçar às 12:00 horas você ficou de jejum 16 horas.

Há vários protocolos de jejum intermitente:  alguns ficam 16 horas sem alimentar-se, outros 20 ou 24 horas, uns praticam o jejum intermitente uma vez por semana, outros 2 ou mais dias da semana.

Estudos demonstram que o jejum intermitente é mais tolerável a longo prazo do que restringir a quantidade de calorias todos os dias, como fazem boa parte das dietas. Isto ocorre porque neste último você precisa ficar contando toda e qualquer caloria que você ingerir, o dia todo e todos os dias. Se torna estressante.

No jejum intermitente você simplesmente não come por um período determinado por você e nos demais períodos come normalmente. Importante ressaltar a necessidade de manter um balanço adequado entre as proteínas, gorduras e carboidratos complexos na dieta, tanto nas refeições no dia do jejum, quanto nos dias de alimentação normal.

Além de reduzir o peso, há melhora em vários parâmetros da saúde, como por exemplo, aumento do HDL (colesterol bom), redução dos triglicérides, da insulina e da glicose, e redução do LDL (colesterol ruim). Ou seja, ocorre redução do risco cardiovascular e  metabólico. Estudos sugerem melhoras também na memória, redução do risco de câncer e melhora da resposta ao tratamento do câncer, e melhora da flora intestinal, que leva entre outras coisas a melhor digestão.

Algo que faço diariamente, inclusive nos dias de jejum, é tomar um suplemento com algumas vitaminas e minerais. Como não sei se o agricultor tem reposto todos os nutrientes do solo onde ele planta os vegetais que consumimos em casa, optei por repor estes suplementos. Não podemos esquecer também do ômega 3! Importantíssimo para nossa saúde! Escrevi aqui sobre o resultado de grande estudo do ômega 3.

Caso esteja pensando como implementar o jejum intermitente este mês para evitar engordar e melhorar sua saúde converse com seu médico ou nutricionista de confiança para orientá-lo. Até o próximo post.

Vitamina D tem papel na prevenção cardiovasular? E na prevenção de câncer?

Neste post vou abordar a conclusão do estudo VITAL apresentado no Congresso da American Heart Association, um dos maiores congressos da cardiologia realizado agora em novembro/2018, e publicado no mesmo dia da sua apresentação no congresso na conceituada revista médica New England Journal of Medicine. Este estudo avaliou o efeito da suplementação de uma dose fixa de vitamina D de 2000 UI ao dia, sem meta a ser alcançada, dose fixa de ômega 3 1g por dia, e placebo de um de ambos. Este post é sobre o uso da vitamina D 2000 UI. Para saber sobre os dados do ômega 3 acesse o post anterior aqui.

Por que este estudo foi feito?

Estudos observacionais mostram que em regiões mais ensolaradas, onde há maior produção de vitamina D, a mortalidade por câncer e doença cardiovascular são menores. Estes estudos também mostram que quanto mais baixo os níveis de vitamina D maior o risco de câncer e doença cardiovascular.

Neste estudo, 25.871 pessoas, sem problemas cardiovasculares ou de câncer prévios, 51% deles mulheres com mais de 55 anos e 49% homens maiores de 50 anos, foram divididos para tomar uma dose fixa de vitamina D de 2000 ui ao dia ou placebo (cápsula com aparência igual, mas sem a vitamina D). A média das idades era 67 anos.

Das 25.871 pessoas do estudo foi coletado sangue para avaliar os níveis de vitamina D em somente 16.956 pessoas (65,5%).

Resultados:

O acompanhamento médio foi de 5,3 anos.  A média das idades era 67,1 anos. Dos participantes, 20% se declararam negros.

Entre os 15.787 participantes que dosaram vitamina D a média foi 30,8 ng/ml. 12,7% tinham valores <20 ng/ml e 32,2% entre 20 e 30 ng/ml. Destes quase 16.000 participantes foi dosado a vitamina D novamente após 1 ano em apenas 1.644 participantes que tomaram a vitamina D 2.000 UI/dia e encontrado valor de 41,8 ng/ml, aumento de quase 40%.

Quanto a incidência de câncer não houve diferença estatística significativa entre os dois grupos. Porém, no grupo que usou vitamina D 2000 UI a mortalidade foi 17% menor, sem significância estatística entre os grupos.

Quanto a incidência de eventos cardiovasculares não houve diferença entre os 2 grupos com esta dose de vitamina D 2000 UI/dia.

Mais um ponto positivo em ter o peso normal: as pessoas que tinham o IMC <25 tiveram um risco 24% menor de ter câncer quando receberam a vitamina D 2000 UI por dia. E quanto mais gordinho maior o risco de ter câncer!

Quais os modos que a Vitamina D pode contribuir na prevenção e, eventualmente, no tratamento do câncer? A vitamina D é capaz de inibir a proliferação da célula cancerígena, tem propriedades anti-inflamatórias, é imunomoduladora (melhora nosso sistema imune para combater a célula cancerígena), é pró-apoptótica (faz com que a célula cancerígena se suicide) e tem efeito anti-angiogênino (não forma novos vasos sanguíneos para o câncer crescer).

Resumo deste estudo: tomar vitamina D 2000 UI/dia reduz, por exemplo, o número de infarto agudo do miocárdio? Não.

E previne câncer? Esta dose de vitamina D 2000 ui pode prevenir sim a incidência de câncer caso a pessoa seja magra, que é ter IMC<25, e também pode reduzir a mortalidade!

Pergunta sem resposta deste estudo: quais os efeitos da vitamina D em doses mais altas? Não sabemos, mais alguns autores defendem doses bem maiores, 5.000 a 10.000 UI por dia, e níveis sanguíneos entre 50 e 100, níveis estes bem maiores do que os atingidos nesta pesquisa que foi de 40.

Você tem níveis de vitamina D adequados?

Tem conseguido manter seu IMC abaixo de 25?

Ômega 3 previne infarto do miocárdio!

Esta é a conclusão do estudo VITAL apresentado no Congresso da American Heart Association, um dos maiores congressos da cardiologia realizado agora em novembro/2018, e publicado no mesmo dia da sua apresentação no congresso na conceituada revista médica New England Journal of Medicine.

Neste estudo, 25.871 pessoas, sem problemas cardiovasculares prévios, 51% deles mulheres com mais de 55 anos e 49% homens maiores de 50 anos, foram divididos para tomar 1 grama de ômega 3 ao dia ou placebo (cápsula com aparência igual, mas sem o ômega 3). A média das idades era 67 anos.

O objetivo primário da pesquisa era avaliar o efeito desta dose de ômega 3 na incidência da soma da ocorrência de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte de causa cardiovascular, chamamos de eventos cardiovasculares maiores.

Após 5,3 anos de acompanhamento médio, o grupo que tomou ômega 3 teve 386 eventos cardiovasculares maiores e o que não tomou o ômega 3 teve 419, não obtendo significância estatística, apesar de ser número menor de eventos. Porém ao analisar itens isolados deste estudo concluímos que, mesmo doses pequenas de ômega 3, 1 grama, como a utilizada nesta pesquisa, ocorreu redução significativa do número total de infarto do miocárdio (145 contra 200, redução de 28%), do número de angioplastia coronária (162 contra 208, redução de 22%), do número total de doença coronária (308 contra 370, redução de 17%) e do número de morte por infarto do miocárdio (13 contra 26, redução de 50%).

O estudo VITAL sugere que o benefício foi maior nas pessoas que consumiam menos de 1,5 porções de peixes por semana e fizeram a suplementação com 1 grama de ômega 3.

A hipótese que ômega 3 confere proteção coronária é biologicamente plausível. Isto ocorre porque o ômega 3 tem efeito antitrombótico (evita formar coágulos), reduz triglicerídeos, reduz a pressão arterial, tem efeito anti-inflamatórios (a doença coronariana é uma doença inflamatória), impede o crescimento da placa aterosclerótica, diminui frequência cardíaca, reduz suscetibilidade a arritmia e aumenta a produção de óxido nítrico no endotélio (que provoca relaxamento da artéria).

Há pesquisadores que sugerem que o benefício do ômega 3 é maior quando se usa doses maiores, por exemplo, até 6 gramas/dia. Infelizmente o estudo VITAL usou uma dose fixa de apenas 1 grama de ômega 3 por dia, não podendo avaliar se esta hipótese é verdade. Neste estudo também não foi avaliado o grau de inflação destes pacientes no início da pesquisa, por exemplo, através da PCR ultrassensível, para avaliar a redução com o uso do ômega 3.

O estudo VITAL também avaliou a incidência de câncer nestes pacientes e não houve diferença significativa. Também foi avaliado efeito de suplementação de vitamina D, mas sobre isto vou abordar em outro post.

E você tem ingerido peixe regularmente rico em ômega 3? São os peixes de água salgada profunda os mais ricos em ômega 3.

Você sabe o que é a medicina funcional?

A Medicina Funcional é uma maneira ampla de atuação do médico. O foco da medicina funcional é tentar determinar como e por que a doença ocorre para implementar medidas para restaurar a saúde, atuando nas causas da doença para cada indivíduo, como também atuando na prevenção das doenças.

Mas você poderia pensar que todo médico já faz isso. Esta seria a maneira ideal, mas nem sempre é assim…

Apenas para exemplificar como as abordagens podem ser diferentes, de uma maneira exagerada: um homem, obeso, sedentário, estressado, com 40 anos de idade, vai no consultório do médico para fazer um check-up, e entre os exames que ele levou, a glicose estava em 130 mg/dL.

Vamos pensar em 2 possibilidades de atuação. Na primeira o médico olha o resultado da glicose, faz o diagnóstico de diabetes melitos tipo 2 e passa medicação para baixar a glicose somente.

Na segunda, que é a maneira da medicina funcional, antes de passar alguma medicação, o médico conversa com o paciente, investiga seus hábitos alimentares que podem ter levado ele a ser obeso e ter esta glicemia elevada (se ingere muitas massas, por exemplo, ou ingere bebidas açucaradas ou ingere cerveja e com qual regularidade e quantidade); investiga a história de doenças que já ocorreram na família para avaliar risco futuro destas mesmas doenças o acometerem; investiga por que ele é estressado; se dorme mal; se tem muitas responsabilidades no trabalho ou financeiras; o sedentarismo é por falta de tempo, ou motivação, ou falta energia; entre outras situações que podem interferir com a saúde daquele individual.

Só após avaliar todos estes fatores ele vai elaborar a melhor estratégia de acompanhamento e tratamento, por exemplo, restringindo a ingestão de carboidratos simples, processados, ingestão de bebidas calóricas, orientando como combater o estresse, otimizando a qualidade do sono e orientando sobre alguma prática de esporte. E, claro,  em alguns casos vai prescrever medicação.

Assim, o modelo da Medicina Funcional é uma abordagem individualizada, centrada no paciente, baseada na ciência, que permite que os pacientes e médicos trabalhem juntos para abordar as causas subjacentes da doença e promover um bem-estar ideal. Isso requer uma compreensão detalhada dos fatores genéticos, bioquímicos e de estilo de vida de cada paciente e aproveita esses dados para direcionar planos de tratamento personalizados que levam a melhores resultados para os pacientes.

Ao abordar a causa raiz da doença e não os sintomas, os profissionais se orientam a identificar a complexidade da doença. Eles podem achar que uma condição tem muitas causas diferentes e, do mesmo modo, uma causa pode resultar em muitas condições diferentes. Como resultado, o tratamento da Medicina Funcional visa as manifestações específicas da doença em cada indivíduo.

E você já teve alguma experiência com médico funcional? Deixe seu comentário.

Até o próximo post.

Diabetes Não!

Plagiando um pouco o momento eleitoral aqui no Brasil escrevo hoje sobre um insights nas leituras que tenho feito ultimamente, em especial da New England Journal of Medicine.

Na edição do dia 18/10/2018 há a publicação de alguns estudos de prevenção primária. O que é isto? É avaliar se algo que você faz evita que algo venha acontecer pela primeira vez, por exemplo, um infarto. Já a prevenção secundária é fazer algo para evitar que alguma doença, por exemplo, um infarto ou acidente vascular cerebral, venha acontecer pela segunda ou terceira vez. A intervenção utilizada e pesquisada nestes estudos foi o uso de aspirina 100 mg ao dia.

Um dos estudos publicados, o ASCEND Study, avaliou se administrar aspirina 100 mg ao dia reduziria o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório, ou morte por alguma causa vascular, desde que não seja por hemorragia, em pacientes diabéticos que não tinham doença cardíaca conhecida.

Por que foi realizado este estudo? Porque o paciente diabético tem um risco de problema cardíacovascular ou neurovascular 3 a 4 vezes maior que pacientes sem diabetes. Como aspirina já está consagrada como benéfica para prevenção secundária e havia dúvida se seria benéfica para prevenção primária em diabéticos sem problemas cardiovasculares realizaram esta pesquisa.

Resultado da pesquisa, depois de 7,4 anos: o uso de aspirina 100 mg ao dia por diabéticos, sem problemas cardíacos prévios, teve uma redução de risco de 12%.

Que bom! Vamos comemorar e passar aspirina para todos os diabéticos sem problema cardíaco conhecido? Não!!!!! Os diabéticos que usaram a aspirina tiveram um aumento de sangramento de 29%!!! Ou seja, o risco de hemorragia não compensava o benefício. E para uma pessoa se beneficiar com o uso da aspirina foi necessário que 91 pessoas tomassem a medicação por 7,4 anos.

Mas por que o título do artigo é #Diabetesnão!?

Porque o diabetes, em especial o tipo 2, é uma doença nutricional! Ou seja, hábitos alimentares focados em carboidratos simples, tem tornado a população obesa ou com sobrepeso! Neste estudo, por exemplo, somente 14% tinham o peso normal, considerando o IMC<25. Oitenta e seis porcento estavam acima do peso. Como o excesso de peso, a resistência a insulina e diabetes, andam juntos, se a pessoa tiver um estilo de vida saudável, alimentação com pouco carboidrato simples, dormir bem, praticar atividade física regulamente, ela reduziria o peso. Reduzido o peso é possível evitar ou adiar o início do diabetes e ter um risco de evento cardíaco 4 vezes maior que a população sem diabetes.

Assim, se você tem excesso de peso ou já sabe ter resistência insulínica ou diabetes converse com seu médico de confiança para implementar mudanças no seu estilo de vida! Tratamento medicamentoso, sem estilo de vida saudável,  pode melhorar alguns pontos, mas também pode piorar outros

Por isto #DiabetesNão!