Musculação é melhor do que aeróbico para reduzir gordura abdominal

O que é melhor para reduzir a gordura abdominal? Musculação ou aeróbico?

Uma pesquisa realizada pela escola de saúde pública da Universidade de Harvard resolveu estudar esses dois tipos de exercício com foco na composição corporal, particularmente na gordura abdominal em indivíduos acima dos 40 anos de idade.

A circunferência abdominal é um marcador de composição de composição corporal saudável em adultos e idosos – quanto maior essa medida, mais acúmulo de gordura e maior risco de doenças cardiovasculares, redução da massa muscular e alterações metabólicas.

A pesquisa em questão avaliou 10.500 homens acima de 40 anos acompanhados por 12 anos, verificando o tipo de exercício realizado e qual tipo obteve melhor resultado em reduzir ou controlar a gordura abdominal.

O estudo demonstrou que os participantes que aumentaram em 20 minutos por dia o volume de exercício de força (musculação) tiveram redução maior (mais que o dobro, -0,67cm contra 0,33cm) na gordura abdominal em relação aos que aumentaram proporcionalmente 20 minutos por dia a quantidade de tempo em exercícios aeróbicos.

Então quer dizer que o melhor é focar exclusivamente no treino de força?

Não exatamente – segundo os autores os melhores resultados alcançados foram os que COMBINARAM o exercício aeróbico e AUMENTARAM o tempo por dia em exercício de força. Logo, a combinação dos dois é a melhor alternativa!

Nove pequenas mudanças no seu estilo de vida que podem ter um grande impacto na sua saúde

Grande parte dos problemas de saúde são correlacionados ao seu estilo de vida. Infelizmente há muito pouca abordagem relacionada ao estilo de vida sendo praticada na área médica atualmente – o máximo é o repetitivo “coma melhor” e “se exercite mais”.

No entanto é incrivelmente fantástico como pequenas ações do seu dia-a-dia podem modificar (e muito) sua saúde. Vamos a algumas delas bem simples que você já pode iniciar hoje mesmo:

1.Planeje.
O primeiro passo para adoção de mudanças de estilo de vida é se planejar. Comprometer-se com o que vai mudar e como vai mudar.

2.Identifique fatores que podem atrapalhar seu planejamento.
Nessa parte, identificar se a família e até o ambiente de trabalho irão facilitar ou “boicotar” suas iniciativas de mudança é fundamental.

3.Busque uma consulta médica
Antes de mais nada, que tal uma consulta médica de rotina? Avaliar sua pressão arterial, colesterol e glicose são bons pontos de partida para saber como anda sua saúde.

4.Reduza bebidas açucaradas (sucos de frutas, refrigerantes)

5.Estacione um pouco mais longe do seu trabalho. Uma caminhada leve até o trabalho todo dia faz muita diferença.

6.Se trabalha ou mora em andar baixo, que tal usar as escadas ao invés do elevador?

7.Adicione porções de frutas e verduras no seu dia-a-dia. Lembre-se de fazer uma rotação das mesmas por semana, para não comer sempre as mesmas frutas e verduras.

8.Está sedentário? Busque uma atividade física que lhe dê prazer. Experimente diversas até chegar a que você goste e lembre-se de estabelecer metas realísticas de frequência para não se frustrar.

9.Melhore o seu sono. Defina um horário para dormir. Faça higienização do seu sono, começando com 30 minutos antes do horário de dormir e desligando TV, som, celular – todas essas fontes de luz (espectro de luz azul) alteram a forma como seu corpo inicia e mantém o sono, alterando um dos principais hormônios reguladores do seu sistema sono-vigília e imunológico: a melatonina.

Como prevenir doenças cardíacas

Este final de semana aconteceu o congresso da American College of Cardiology (ACC), um dos mais importantes congressos de cardiologia do mundo. Além de vários estudos clínicos e descobertas na área da cardiologia, foi publicado o Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease da ACC, um documento com as recomendações para prevenir as doenças cardiovasculares.

Aqui estão as 10 principais atitudes para prevenirmos a doença cardíaca:

A principal atitude para prevenir a doença aterosclerótica (infarto, angina, AVC, ect), insuficiência cardíaca e fibrilação atrial (um tipo de arritmia) é ter um estilo de vida saudável ao longo da vida. Quanto mais cedo estimularmos um estilo de vida saudável, mais benefícios teremos na velhice.

Uma equipe multidisciplinar é uma estratégia eficaz para a prevenção de doenças cardiovasculares. Ou seja, o médico que trabalha com apoio de outros profissionais, como nutricionista, enfermagem, educador físico, psicólogo, pode proporcionar melhor atendimento ao paciente.

Adultos entre 40 a 75 anos de idade e que estão sendo avaliados para prevenção de doenças cardiovasculares devem ser submetidos a uma estimativa de risco para doença cardiovascular aterosclerótica em 10 anos (ASCVD), há aplicativos para smartphones, e diante desta estimativa de risco discutir com o paciente sobre o inicio de terapia farmacológica, como terapia anti-hipertensiva, uma estatina ou aspirina. Além disso, avaliar outros fatores que aumentam o risco pode ajudar a orientar as decisões sobre intervenções preventivas em indivíduos selecionados, como, por exemplo, avaliar o score de cálcio coronário.

Todos os adultos devem consumir uma dieta saudável que enfatize a ingestão de vegetais, frutas, nozes, cereais integrais, vegetais ou proteínas animais, e peixe e minimiza a ingestão de gorduras trans, carnes processadas, carboidratos refinados e bebidas açucaradas. Principalmente nos adultos com excesso de peso e
obesidade, aconselhamento quanto a dieta são recomendados para atingir e manter a perda de peso.

Os adultos devem praticar pelo menos 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada acumulada ou 75 minutos por semana de atividade física de intensidade vigorosa.

Para adultos com diabetes mellitus tipo 2, mudanças no estilo de vida, como melhorar hábitos alimentares e alcançar recomendações de exercícios, são cruciais. Se a medicação for indicada, a metformina é de primeira linha de terapia.

Todos os adultos devem ser avaliados em todas as consultas de saúde sobre o uso de tabaco, e aqueles que usam tabaco devem ser assistidos e fortemente aconselhados a cessar o tabagismo.

A aspirina deve ser usada com pouca frequência na prevenção primária de rotina de ASCVD devido à falta de benefício líquido. Falei sobre isto neste post, onde o excesso de sangramento não compensa o benefício.

Neste guideline, a terapia com estatina é o tratamento de primeira linha para a prevenção primária de ASCVD em pacientes com níveis elevados de colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-colesterol≥190 mg / dL), aqueles com diabetes mellitus, que estão entre 40 a 75 anos de idade, e aqueles determinados para estar em risco de ASCVD suficiente, sempre após discutir com o paciente os riscos e benefícios da estatina. Então quer dizer que antes de 40 anos e acima de 75 anos as estatinas não demonstraram benefício? Converse com seu médico sobre isto, ele deve expor para você o que fazer.

As intervenções não farmacológicas são recomendadas para todos os adultos com hipertensão arterial. Até mesmo quem é saudável deve ter um estilo de vida saudável…Para aqueles que requerem terapia farmacológica, a pressão arterial alvo deve ser geralmente <130/80 mm Hg.

Estas recomendações acima são um resumo das principais recomendações. Prevenção é a melhor estratégia em todas as áreas da saúde!

Tem alguma dúvida ou sugestão? Comente abaixo. No futuro escreverei mais detalhadamente sobre cada estratégia. Acompanhe meu Instagram ou Facebook, lá publico mais dicas de saúde.

Dieta com pouco carboidrato queima mais calorias!

Esta é a conclusão de estudo conduzido pelo Dr. David Ludwig, da Harvard Medical School, e publicado na British Medical Journal.

Em um estudo muito bem conduzido ele avaliou a mudança de quanto cada pessoa gastava de energia para manter seu peso, com 3 dietas distintas em quantidade de carboidratos, ao final de 20 semanas.

Os com dieta alta em carboidratos consumiam 60% da suas calorias em carboidratos, moderada consumiam 40% e baixa consumiam 20%. A quantidade de proteína foi igual nos 3 grupos, 20%. O restante das calorias vinha de gorduras.

Toda a alimentação foi fornecida pelo pesquisador e ajustada a quantidade de alimento regularmente para que os participantes não perdessem peso em relação ao início da fase de teste. Isto porque cada participante já tinha participado de uma fase e perdido 12% do seu peso antes de ser randomizado para uma dieta.

Participaram da pesquisa 164 pessoas com IMC médio entre 31,7 e 33,5, ou seja, todos os grupos eram obesos. Eles se pesaram diariamente em uma balança com Wi-fi. Assim a quantidade de alimento era ajustada para que não ocorresse perda de peso significativa.

A quantidade de atividade física não variou significativamente entre os grupos.

Resultados desta pesquisa:

Os pacientes com a dieta baixa em carboidratos e alta em gorduras gastavam, em média, 278 Kcal/dia a mais do que o grupo da dieta com muito carboidratos para manter o peso. Os pacientes com a dieta moderada em carboidratos gastava, em média, 131 Kcal/dia a mais do que o grupo da dieta com muito carboidratos para manter o peso. E quanto mais alta era a insulina antes de participar da pesquisa maior era o gasto de calorias dos pacientes com baixo carboidrato em relação ao grupo de alto carboidratos, chegou a 478 Kcal/dia. Ou seja, os pacientes com baixo carboidratos precisavam comer mais para manter o peso! Este é o sonho de consumo para alguns seres mortais!

O grupo de pacientes da dieta de alto carboidratos apresentou piora dos níveis de triglicerídeos, ou seja, aumentou, e apresentou diminuição do colesterol HDL, ambos de maneira significativa. Traduzindo: piora dos parâmetros lipídicos o que pode aumentar o risco para desenvolver doenças cardiovasculares.

O estudo analisou também o que ocorreu com os hormônios grelina (que sinaliza fome) e leptina (que sinaliza saciedade) e ambos ficaram significativamente mais baixos no grupo que ingeriu menos carboidratos, indicando melhor sensibilidade a estes hormônios para os que ingeriam a dieta com pouco carboidrato.

Como foi calculado este gasto calórico? Através de um dos melhores métodos que utiliza água marcada e analisa o metabolismo do hidrogênio e oxigênio desta água no corpo dos participantes.

Mais uma evidência que as dietas com pouco carboidratos podem contribuir para a perda de peso e melhora hormonal, sem sacrifícios de ficar passando fome com restrição calórica e/ou exercitar-se demais. Se seu médico e/ou nutricionista insistem em passar uma dieta rica em carboidratos para você perder peso, de acordo com esta pesquisa, eles podem está usando a estratégia errada…

Complicações do diabetes tipo 2

No post anterior escrevi sobre as complicações microvasculares do diabetes. Hoje escreverei sobre as complicações macrovasculares mais comuns.

Aterosclerose. A aterosclerose é a deposição do colesterol oxidado (modificado) nas artérias que estão inflamadas. Isto leva ao enrijecimento e estreitamento das artérias, reduzindo a chegada de oxigênio e nutrientes para as células irrigadas pela artéria comprometida.

Quando o estreitamento é total ou severo ocorre, por exemplo, o infarto do miocárdio ou angina, no coração, acidente vascular cerebral no cérebro, e a doença vascular periférica nas pernas. O diabético tem um risco muito maior de aterosclerose. Para você compreender mais fácil o quanto o diabetes é grave imagine um paciente sem diabetes que infartou. Pensou? O risco de um diabético ter um primeiro infarto é semelhante ao desta pessoa que já infartou uma vez ter um segundo infarto! Diabetes não é brincadeira! É uma doença silenciosa que quando fala pode ter consequências letais ou incapacitantes!

A aterosclerose vai acontecer em uma região inflamada das artérias. Esta inflamação é favorecida pelo tabagismo, diabetes, estresse, pressão alta e falta de exercícios, ou seja, por situações que você pode mudar através de hábitos de vida saudáveis.

Doenças cardíacas. O infarto do miocárdio é a complicação mais comum e mais temida do diabético. Dados do estudo de Framingham mostram que o diabético tem o dobro de risco de infarto do miocárdio. A maioria dos diabéticos acima de 65 anos morrerá por causa cardíaca ou acidente vascular cerebral. Os demais sobreviventes poderão ser acometidos de incapacitações que restringirão sua qualidade de vida.

Acidente vascular cerebral (AVC). Acontece quando ocorre a obstrução da artéria que irriga o cérebro. Dependendo da artéria comprometida os sintomas variam. Alguns podem apresentar dificuldade para falar, outros para movimentar um lado do corpo, outros perdem a consciência, outros perdem a sensibilidade… O diabético tem um risco 150% maior de apresentar AVC.

Doença vascular periférica. É a obstrução nas artérias que irrigam as pernas causada pela aterosclerose. Geralmente provoca dor, por exemplo, nas panturrilhas, ao caminhar, podendo levar ao longo dos anos a incapacitação. Também contribui para dificuldade de cicatrização de ferimentos nos pés. Se além do diabetes o paciente fumar aí o risco de desenvolver aterosclerose é aumentado ainda mais.

Outras doenças são mais comuns nos diabéticos. O mal de Alzheimer que provoca perda da memória, mudança de personalidade e problemas cognitivos tem sido chamado de diabetes tipo 3 por alguns pesquisadores devido a íntima relação entre diabetes e Alzheimer.

A esteatose hepática também tem sido relacionada com diabetes.

Maior facilidade de ser acometido por infecções, tanto bacterianas como por fungos.

Disfunção erétil é três vezes mais comum nos homens diabéticos do que naqueles não diabéticos. Estima-se que 50% dos homens diabéticos com mais de 50 anos tenham disfunção erétil.

A lista de danos que a glicose elevada, comum nos diabéticos, pode levar é grande. Então converse com seu médico sobre seu risco de tornar-se diabético. A dosagem de glicose no sangue é um dos parâmetros para diagnóstico de diabetes. Para a prevenção há outros exames que seu médico pode solicitar que avaliar o risco de você tornar-se diabético.

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Até o próximo post!

Diabetes tipo 2 e suas complicações

Diabetes é uma das doenças mais devastadoras que conhecemos. Isto acontece porque a glicose elevada, circulando no sangue, consegue atingir todos os órgãos do corpo, literalmente, da cabeça aos pés.

Segundo a Associação Americana de Diabetes, na sua diretriz publicada agora em 2019, o diagnóstico de diabetes é feito por alguma das alterações abaixo:

  1. Glicemia ≥ 126 mg/dL com jejum de pelo menos 8 horas; ou
  2. Glicemia ≥ 200 mg/dL no teste de tolerância a glicose que consiste na ingestão de um suco com 75 g de glicose anidra; ou
  3. Hemoglobina glicada ≥ 6,5 %; ou
  4. Glicemia ≥ 200 mg/dL em paciente com sintomas clássicos de hiperglicemia em dosagem aleatória da glicemia.

Um dos mecanismos que torna o diabetes devastador é o processo que chamamos de glicação. O excesso de glicose na circulação se liga a alguma proteína no corpo prejudicando, ou até acabando, com a função daquela proteína.

Um exemplo de proteína glicada, utilizada até para o diagnóstico e controle do tratamento do diabetes , é a hemoglobina glicada. Uma hemoglobina glicada igual a 8%, por exemplo, significa que a pessoa é diabética e que 8% da hemoglobina presente nas hemácias está ligada moléculas de glicose. Consequência disto? Estas hemácias não transportam mais o oxigênio essencial para o funcionamento das células!

O processo de glicação contribui também para inflamar o corpo e tornar as células mais suscetíveis a dano pelo estresse oxidativo, que contribuirão para acelerar o processo de envelhecimento, diminuindo a expectativa de vida dos diabéticos.

A expectativa de vida reduzida e com qualidade ruim é consequência das complicações microvasculares (dano em vasos pequenos) e macrovasculares (dano em vasos grandes).

As complicações microvasculares mais comuns são citadas abaixo:

Retinopatia diabética. É a principal causa de cegueira nos Estados Unidos. Na retinopatia diabética os vasos da retina se tornam frágeis e há vazamento de sangue na retina, provocando uma reação inflamatória e cicatrização; este processo se repete continuamente até chegar um momento que a pessoa não enxerga mais.

Nefropatia diabética. É uma das principais, talvez a maior, causa de insuficiência renal terminal, aquela que obriga a pessoa fazer hemodiálise para filtrar as toxinas do sangue porque os seus rins param de funcionar, por 3 horas, 3 vezes por semana, por exemplo.

A cada ano 2% dos diabéticos do tipo 2 terão sintomas renais. Em 10 anos estima-se que 25% dos diabéticos tipo 2 terão problemas renais. A notícia ruim é que depois de instalada a nefropatia diabética ela só tende a piorar.

Neuropatia diabética. Outra complicação microvascular comum que pode afetar de 60% a 70% dos diabéticos, sendo mais comum nos que tem diabetes há mais tempo. Geralmente, o comprometimento começa nas extremidades, nos pés, depois as mãos, depois os braços.

A depender do nervo comprometido o diabético pode relatar formigamento, insensibilidade, queimação e/ou dor.

A dor causada pela neuropatia diabética severa é debilitante e costuma piorar à noite, com pouca melhora com analgésicos, mesmo os mais potentes.

Quando a neuropatia diabética compromete os nervos que controlam a respiração, digestão, transpiração e coração, o diabético pode sentir, mais frequentemente, náuseas, vômitos, constipação, diarreia, disfunção erétil e hipotensão, entre outros sintomas. Estas lesões nos nervos, depois de instaladas, também só tendem a piorar, então o melhor tratamento é a prevenção.

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No próximo post falarei sobre as complicações macrovasculares do diabetes tipo 2.

Dieta Mediterrânea suplementada com azeite de oliva extra-virgem ou castanhas pode prevenir doença cardiovascular!

Esta é a conclusão do estudo PREDIMED, publicado na conceituada revista médica New England Journal of Medicine em 21 de junho de 2018.

Estudos observacionais tinham mostrado que a dieta Mediterrânea, caracterizada pela grande ingestão de azeite de oliva, frutas, castanhas e vegetais, moderada de peixe e aves, e baixa de ingestão de carne processada e açúcar, além da ingestão de vinho moderada, estava associada com menor risco cardiovascular, sendo por isto considerada a dieta modelo para proteção contra doença cardiovascular, que é a principal causa de morte ou restrição da qualidade de vida da maior parte da população.

O estudo PREDIMED foi realizado na Espanha. Participaram 7.447 homens (55 a 80 anos) e mulheres (60 a 80 anos) sem doença cardiovascular conhecida, em média com 67 anos, IMC de 29,9, que tinham diabetes tipo 2 (49%) ou 3 fatores de risco (tabagismo – 14%, hipertensão – 82,5%, colesterol LDL elevado e/ou colesterol HDL baixo – 72%, sobrepeso ou obesidade ou história familiar precoce para doença coronária -22%), ou seja, alto risco para doença cardiovascular, selecionados aleatoriamente para seguir uma de 3 dietas: Mediterrânea suplementada com azeite de oliva extra-virgem, Mediterrânea suplementada com castanhas e dieta controle (pouca gordura).

O grupo selecionado para dieta Mediterrânea suplementada com o azeite de oliva extra-virgem recebeu o azeite com a recomendação de consumir 4 colheres de sopa ao dia. O grupo selecionado para dieta Mediterrânea com castanhas recebeu 30 gramas de castanhas variadas para consumir diariamente. O grupo da dieta normal recebeu pequenos presentes que não eram alimentos. Não houve restrição quanto a quantidade de calorias ingeridas e nem não receberam orientações quanto a realizar atividade física.

O objetivo do estudo era avaliar se ocorreria diferença no número de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte de causa cardiovascular entre as 3 dietas, chamamos isto de end point primário. O end point secundário eram os itens acima mais morte por qualquer causa.

Os participantes foram acompanhados por 4,8 anos em média. Os 3 grupos eram homogêneos quanto ao uso de medicamentos para as doenças que possuiam. Por tratar-se apenas de intervenção dietética não ocorreu efeito adverso significativo em nenhum dos grupos. A redução de risco do end point primário foi de 30% para a dieta Mediterrânea suplementada com azeite de oliva ou castanha quando comparado com a dieta baixa em gordura. No grupo da dieta Mediterrânea ocorreu redução de risco de acidente vascular cerebral de 42%, infarto do miocárdio de 20% e morte por causa cardiovascular de 20%.

Quanto mais os participantes aderiram a dieta Mediterrânea, menor o risco de doença cardiovascular.

No post anterior escrevi sobre a redução no número de fraturas em pacientes com osteoporose que mais ingerem azeite de oliva extra-virgem quando comparado aos que menos ingerem. Hoje vimos o benefício na prevenção de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e redução das mortes de causa cardiovascular.

Não vejo isto como uma surpresa. Cada célula do nosso corpo, exceto as células que não tem núcleo, como as hemácias, tem o mesmo DNA e demais estruturas de uma célula semelhantes, com mesmas necessidades para desempenhar sua função; ou seja, se algo faz bem para a célula do seu coração não faz sentido achar que fará mal para a célula do seu cérebro.

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Até o próximo post.

Azeite de oliva pode reduzir fraturas por osteoporose.

Esta é a conclusão de um subgrupo do estudo PREDIMED que avaliou o efeito do consumo de azeite de oliva extra-virgem sobre a incidência de fraturas em pessoas maiores de 50 anos.. 

Mas o que é a osteoporose?  

É uma doença que pode atingir qualquer osso do corpo, tornando-o menos forte pela perda de minerais, em especial, o cálcio. E quanto mais fraco o osso, maior o risco de fraturas ósseas, por exemplo, no fêmur e vértebras, levando a perda da qualidade de vida da pessoa. O grau mais leve de perda de minerais é chamada osteopenia. 

A osteoporose não atinge só as mulheres, homens também podem ser acometidos por ela. 

Estima-se de até 45% dos homens tem perda óssea na densitometria e que 20% dos homens maiores de 50 anos irão apresentar uma fratura relacionada com a osteoporose. 

Mas como a ingestão de azeite de oliva poderia prevenir as fraturas em pessoas com osteoporose? 

O azeite de oliva atua prevenindo duas causas de osteoporose que são a inflamação e o estresse oxidativo. 

O osso normal está em renovação constante através do equilíbrio entre a degradação e formação óssea. Na pessoa com inflamação e/ou estresse oxidativo este equilíbrio é rompido e a destruição óssea é maior que a formação de novo osso, levando a osteopenia e posteriormente a osteoporose. 

O estudo PREDIMED, publicado em fevereiro de 2018, mostrou que as pessoas que mais consumiam azeite de oliva extra-virgem tiveram uma risco de fraturas 51% menor de fraturas em relação aos que consumiam menos. 

Vários artigos foram publicados com os dados do estudo PREDIMED, inclusive com melhoras significativas para a saúde cardiovascular.

Em breve publicarei mais post aqui no blog.

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Pantoprazol não reduz mortes na UTI em pacientes graves!

Esta é a conclusão do estudo SUP-ICU publicado hoje na conceituada revista New England Journal of medicine.

Esta pesquisa foi realizada para esclarecer se usar pantoprazol em pacientes graves internados em caráter de emergência em UTIs da Europa, reduziria o número de mortes em 90 dias. Pesquisa anterior já sugeria que não teria benefício, mas mesmo assim realizou-se esta pesquisa. Esta pesquisa não foi patrocinada pela indústria farmacêutica.

Participaram 3298 pacientes internados  em UTI em caráter de emergência com fatores de risco para desenvolver sangramento intestinal, que eram usar ventilação mecânica, ter distúrbio de coagulação, insuficiência hepática ou renal, foram randomizados para receber pantoprazol 40 mg na veia ou placebo. Neste tipo de paciente há maior risco de infecção por Clostridium difficile, pneumonia e infarto do miocárdio, segundo pesquisas anteriores, o seria responsável pela perda de benefício do remédio. Vale ressaltar que este tipo de medicação não é aprovada pelo FDA (anvisa dos Estados Unidos) para ser usado como prevenção de sangramento gástrico.

Resultados:

Receberam pantoprazol 1645 pacientes e placebo 1653 pacientes. No grupo que recebeu pantoprazol morreram 510 pacientes (31,1%) e no grupo placebo morreram 499 (30,4%), diferença que não obteve significância estatística. Curiosamente, quanto mais grave o paciente pela classificação SAPS II mais pacientes faleceram no grupo que usou pantoprazol.

Assim surge a dúvida: se pantoprazol não reduziu a mortalidade em pacientes graves, com fatores de risco para sangramento gástrico, será que tem benefício em pessoas saudáveis que fazem uso como “prevenção de gastrite e úlcera”?

Esta pesquisa não avaliou esta situação… mas acho que também não teria benefício.

Além disso vejam a relação de efeitos adversos segundo o site epocrates.com:

nefrite, pancreatite, fraturas, perda de sódio e magnésio, lupus, piora da função hepática e renal, dor de cabeça, diarréia, dor abdominal, náusea, vômito, febre, gases, artralgia, deficiência de vitamina B12, pólipos no estômago, e várias outras possibilidades.

Ler bula de remédio às vezes assusta…

Você toma pantoprazol ou medicação semelhante?

Converse com seu médico para avaliar se você realmente precisa deste tipo de medicação, se terá algum benefício para sua saúde.

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Até o próximo post.

Como passar por Dezembro sem engordar?!

Estamos chegando ao fim de 2018! Dezembro, mês rico em confraternizações do trabalho, escola ou universidade, família e as famosas ceias de Natal e Réveillon.

Comida e bebida farta, uma tentação para comermos mais do que precisamos e como resultado ganho de alguns quilos na balança que nem sempre serão fáceis de eliminar. E caso esta história se repita a cada ano a numeração da roupa só tende a aumentar…

O problema não é somente estético, é também prejudicial para a saúde, haja vista que quanto mais gordura acumulamos, maior o nível de substâncias inflamatórias circulantes, o que leva a danos para nossa saúde.

Mas saiba que é possível passar por Dezembro sem engordar e sem abrir mão das confraternizações com os amigos e amigas!

Uma das estratégias é através do jejum intermitente. Jejum intermitente é você abrir mão conscientemente de alimentar-se, ou seja, você determina que só irá alimentar-se após, por exemplo, 16 horas sem alimentar-se.

Difícil? Não!!! Se você jantar às 20:00 horas, pular o café-da-manhã do dia seguinte e almoçar às 12:00 horas você ficou de jejum 16 horas.

Há vários protocolos de jejum intermitente:  alguns ficam 16 horas sem alimentar-se, outros 20 ou 24 horas, uns praticam o jejum intermitente uma vez por semana, outros 2 ou mais dias da semana.

Estudos demonstram que o jejum intermitente é mais tolerável a longo prazo do que restringir a quantidade de calorias todos os dias, como fazem boa parte das dietas. Isto ocorre porque neste último você precisa ficar contando toda e qualquer caloria que você ingerir, o dia todo e todos os dias. Se torna estressante.

No jejum intermitente você simplesmente não come por um período determinado por você e nos demais períodos come normalmente. Importante ressaltar a necessidade de manter um balanço adequado entre as proteínas, gorduras e carboidratos complexos na dieta, tanto nas refeições no dia do jejum, quanto nos dias de alimentação normal.

Além de reduzir o peso, há melhora em vários parâmetros da saúde, como por exemplo, aumento do HDL (colesterol bom), redução dos triglicérides, da insulina e da glicose, e redução do LDL (colesterol ruim). Ou seja, ocorre redução do risco cardiovascular e  metabólico. Estudos sugerem melhoras também na memória, redução do risco de câncer e melhora da resposta ao tratamento do câncer, e melhora da flora intestinal, que leva entre outras coisas a melhor digestão.

Algo que faço diariamente, inclusive nos dias de jejum, é tomar um suplemento com algumas vitaminas e minerais. Como não sei se o agricultor tem reposto todos os nutrientes do solo onde ele planta os vegetais que consumimos em casa, optei por repor estes suplementos. Não podemos esquecer também do ômega 3! Importantíssimo para nossa saúde! Escrevi aqui sobre o resultado de grande estudo do ômega 3.

Caso esteja pensando como implementar o jejum intermitente este mês para evitar engordar e melhorar sua saúde converse com seu médico ou nutricionista de confiança para orientá-lo. Até o próximo post.