Cuidado! Alimentos ultraprocessados aumentam risco de mortalidade.

Você costuma consumir “comida de pacote”? Então tenho um notícia ruim para você.

Comida de pacote, na verdade alimentos ultraprocessados, são alimentos que passam por processos industriais onde há adição de conservantes, sal, açúcar, realçadores de sabor e texturizantes (como salgadinhos industrializados, conservas de legumes, frutas em calda, enlatados e embutidos por exemplo).

Uma publicação recém divulgada pelo JAMA acompanhou durante 7 anos mais de 45.000 pessoas na França com idade a partir de 45 anos e verificou que a cada incremento de 10% na frequência de consumo de alimentos ultraprocessados houve aumento de 14% no risco de mortalidade.

Segundo o estudo, as causas mais prováveis desse aumento de mortalidade relacionada ao consumo de ultraprocessados se deve ao fato dos mesmos terem elevados níveis de sódio, elevados níveis de açúcar, baixo teor de fibras, presença de compostos cancerígenos (devido ao processo de industrialização que usa altas temperaturas), aditivos químicos potencialmente tóxicos bem como disruptores endócrinos presentes nas embalagens (substâncias que simulam hormônios no nosso organismo).

Costuma consumir esses produtos? Fica então o alerta!

Referências:
Fairchild et al, JAMA Internal Medicine, 2019.

Hábitos alimentares ruins matam mais pessoas que o fumo

Todo mundo sabe que uma alimentação qualitativamente ruim (com muitos alimentos industrializados, muitos conservantes, sódio em excesso e pouco consumo de legumes e frutas) pode levar a doenças como hipertensão, diabetes e até alguns tipos de câncer.

No entanto o real impacto de uma alimentação qualitativamente ruim sobre a expectativa de vida com qualidade e a mortalidade populacional ainda não havia sido avaliada.

Uma pesquisa recente fez uma correlação dos resultados de diversos estudos de larga escala ao redor do mundo nos últimos 27 anos tentando responder a essa questão – quanto uma dieta ruim pode levar a mortalidade e morbidade (fatores que levam a doenças)?

O estudo identificou a correlação entre determinados fatores alimentares (como alto consumo de sódio, baixo consumo de frutas por exemplo) com morbidade e mortalidade em indivíduos com mais de 25 anos de idade e chegou a números assustadores. A mortalidade por má qualidade dietética supera inclusive o número de mortes associadas ao fumo.

O estudo concluiu que uma dieta de má qualidade produziu, apenas em 2017, 11 milhões de mortes e 255 milhões de DALYs (disability-adjusted life-years – que pode ser traduzido como 1 ano a menos de expectativa de vida “saudável”).

Alto consumo de sódio representou três milhões de óbitos, ingesta insuficiente de grãos integrais mais três milhões e baixo consumo de frutas aproximadamente dois milhões de mortes.

A evidência do impacto de má qualidade alimentar como fator promotor de doenças crônicas não transmissíveis e do custo populacional em redução da expectativa de vida “saudável” torna urgente a necessidade de melhoria da qualidade alimentar na população mundial segundo os autores do estudo.

Health effects of dietary risks in 195 countries, 1990–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017

Complicações do diabetes tipo 2

No post anterior escrevi sobre as complicações microvasculares do diabetes. Hoje escreverei sobre as complicações macrovasculares mais comuns.

Aterosclerose. A aterosclerose é a deposição do colesterol oxidado (modificado) nas artérias que estão inflamadas. Isto leva ao enrijecimento e estreitamento das artérias, reduzindo a chegada de oxigênio e nutrientes para as células irrigadas pela artéria comprometida.

Quando o estreitamento é total ou severo ocorre, por exemplo, o infarto do miocárdio ou angina, no coração, acidente vascular cerebral no cérebro, e a doença vascular periférica nas pernas. O diabético tem um risco muito maior de aterosclerose. Para você compreender mais fácil o quanto o diabetes é grave imagine um paciente sem diabetes que infartou. Pensou? O risco de um diabético ter um primeiro infarto é semelhante ao desta pessoa que já infartou uma vez ter um segundo infarto! Diabetes não é brincadeira! É uma doença silenciosa que quando fala pode ter consequências letais ou incapacitantes!

A aterosclerose vai acontecer em uma região inflamada das artérias. Esta inflamação é favorecida pelo tabagismo, diabetes, estresse, pressão alta e falta de exercícios, ou seja, por situações que você pode mudar através de hábitos de vida saudáveis.

Doenças cardíacas. O infarto do miocárdio é a complicação mais comum e mais temida do diabético. Dados do estudo de Framingham mostram que o diabético tem o dobro de risco de infarto do miocárdio. A maioria dos diabéticos acima de 65 anos morrerá por causa cardíaca ou acidente vascular cerebral. Os demais sobreviventes poderão ser acometidos de incapacitações que restringirão sua qualidade de vida.

Acidente vascular cerebral (AVC). Acontece quando ocorre a obstrução da artéria que irriga o cérebro. Dependendo da artéria comprometida os sintomas variam. Alguns podem apresentar dificuldade para falar, outros para movimentar um lado do corpo, outros perdem a consciência, outros perdem a sensibilidade… O diabético tem um risco 150% maior de apresentar AVC.

Doença vascular periférica. É a obstrução nas artérias que irrigam as pernas causada pela aterosclerose. Geralmente provoca dor, por exemplo, nas panturrilhas, ao caminhar, podendo levar ao longo dos anos a incapacitação. Também contribui para dificuldade de cicatrização de ferimentos nos pés. Se além do diabetes o paciente fumar aí o risco de desenvolver aterosclerose é aumentado ainda mais.

Outras doenças são mais comuns nos diabéticos. O mal de Alzheimer que provoca perda da memória, mudança de personalidade e problemas cognitivos tem sido chamado de diabetes tipo 3 por alguns pesquisadores devido a íntima relação entre diabetes e Alzheimer.

A esteatose hepática também tem sido relacionada com diabetes.

Maior facilidade de ser acometido por infecções, tanto bacterianas como por fungos.

Disfunção erétil é três vezes mais comum nos homens diabéticos do que naqueles não diabéticos. Estima-se que 50% dos homens diabéticos com mais de 50 anos tenham disfunção erétil.

A lista de danos que a glicose elevada, comum nos diabéticos, pode levar é grande. Então converse com seu médico sobre seu risco de tornar-se diabético. A dosagem de glicose no sangue é um dos parâmetros para diagnóstico de diabetes. Para a prevenção há outros exames que seu médico pode solicitar que avaliar o risco de você tornar-se diabético.

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Até o próximo post!

Azeite de oliva pode reduzir fraturas por osteoporose.

Esta é a conclusão de um subgrupo do estudo PREDIMED que avaliou o efeito do consumo de azeite de oliva extra-virgem sobre a incidência de fraturas em pessoas maiores de 50 anos.. 

Mas o que é a osteoporose?  

É uma doença que pode atingir qualquer osso do corpo, tornando-o menos forte pela perda de minerais, em especial, o cálcio. E quanto mais fraco o osso, maior o risco de fraturas ósseas, por exemplo, no fêmur e vértebras, levando a perda da qualidade de vida da pessoa. O grau mais leve de perda de minerais é chamada osteopenia. 

A osteoporose não atinge só as mulheres, homens também podem ser acometidos por ela. 

Estima-se de até 45% dos homens tem perda óssea na densitometria e que 20% dos homens maiores de 50 anos irão apresentar uma fratura relacionada com a osteoporose. 

Mas como a ingestão de azeite de oliva poderia prevenir as fraturas em pessoas com osteoporose? 

O azeite de oliva atua prevenindo duas causas de osteoporose que são a inflamação e o estresse oxidativo. 

O osso normal está em renovação constante através do equilíbrio entre a degradação e formação óssea. Na pessoa com inflamação e/ou estresse oxidativo este equilíbrio é rompido e a destruição óssea é maior que a formação de novo osso, levando a osteopenia e posteriormente a osteoporose. 

O estudo PREDIMED, publicado em fevereiro de 2018, mostrou que as pessoas que mais consumiam azeite de oliva extra-virgem tiveram uma risco de fraturas 51% menor de fraturas em relação aos que consumiam menos. 

Vários artigos foram publicados com os dados do estudo PREDIMED, inclusive com melhoras significativas para a saúde cardiovascular.

Em breve publicarei mais post aqui no blog.

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