Como prevenir doenças cardíacas

Este final de semana aconteceu o congresso da American College of Cardiology (ACC), um dos mais importantes congressos de cardiologia do mundo. Além de vários estudos clínicos e descobertas na área da cardiologia, foi publicado o Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease da ACC, um documento com as recomendações para prevenir as doenças cardiovasculares.

Aqui estão as 10 principais atitudes para prevenirmos a doença cardíaca:

A principal atitude para prevenir a doença aterosclerótica (infarto, angina, AVC, ect), insuficiência cardíaca e fibrilação atrial (um tipo de arritmia) é ter um estilo de vida saudável ao longo da vida. Quanto mais cedo estimularmos um estilo de vida saudável, mais benefícios teremos na velhice.

Uma equipe multidisciplinar é uma estratégia eficaz para a prevenção de doenças cardiovasculares. Ou seja, o médico que trabalha com apoio de outros profissionais, como nutricionista, enfermagem, educador físico, psicólogo, pode proporcionar melhor atendimento ao paciente.

Adultos entre 40 a 75 anos de idade e que estão sendo avaliados para prevenção de doenças cardiovasculares devem ser submetidos a uma estimativa de risco para doença cardiovascular aterosclerótica em 10 anos (ASCVD), há aplicativos para smartphones, e diante desta estimativa de risco discutir com o paciente sobre o inicio de terapia farmacológica, como terapia anti-hipertensiva, uma estatina ou aspirina. Além disso, avaliar outros fatores que aumentam o risco pode ajudar a orientar as decisões sobre intervenções preventivas em indivíduos selecionados, como, por exemplo, avaliar o score de cálcio coronário.

Todos os adultos devem consumir uma dieta saudável que enfatize a ingestão de vegetais, frutas, nozes, cereais integrais, vegetais ou proteínas animais, e peixe e minimiza a ingestão de gorduras trans, carnes processadas, carboidratos refinados e bebidas açucaradas. Principalmente nos adultos com excesso de peso e
obesidade, aconselhamento quanto a dieta são recomendados para atingir e manter a perda de peso.

Os adultos devem praticar pelo menos 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada acumulada ou 75 minutos por semana de atividade física de intensidade vigorosa.

Para adultos com diabetes mellitus tipo 2, mudanças no estilo de vida, como melhorar hábitos alimentares e alcançar recomendações de exercícios, são cruciais. Se a medicação for indicada, a metformina é de primeira linha de terapia.

Todos os adultos devem ser avaliados em todas as consultas de saúde sobre o uso de tabaco, e aqueles que usam tabaco devem ser assistidos e fortemente aconselhados a cessar o tabagismo.

A aspirina deve ser usada com pouca frequência na prevenção primária de rotina de ASCVD devido à falta de benefício líquido. Falei sobre isto neste post, onde o excesso de sangramento não compensa o benefício.

Neste guideline, a terapia com estatina é o tratamento de primeira linha para a prevenção primária de ASCVD em pacientes com níveis elevados de colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL-colesterol≥190 mg / dL), aqueles com diabetes mellitus, que estão entre 40 a 75 anos de idade, e aqueles determinados para estar em risco de ASCVD suficiente, sempre após discutir com o paciente os riscos e benefícios da estatina. Então quer dizer que antes de 40 anos e acima de 75 anos as estatinas não demonstraram benefício? Converse com seu médico sobre isto, ele deve expor para você o que fazer.

As intervenções não farmacológicas são recomendadas para todos os adultos com hipertensão arterial. Até mesmo quem é saudável deve ter um estilo de vida saudável…Para aqueles que requerem terapia farmacológica, a pressão arterial alvo deve ser geralmente <130/80 mm Hg.

Estas recomendações acima são um resumo das principais recomendações. Prevenção é a melhor estratégia em todas as áreas da saúde!

Tem alguma dúvida ou sugestão? Comente abaixo. No futuro escreverei mais detalhadamente sobre cada estratégia. Acompanhe meu Instagram ou Facebook, lá publico mais dicas de saúde.

Dieta com pouco carboidrato queima mais calorias!

Esta é a conclusão de estudo conduzido pelo Dr. David Ludwig, da Harvard Medical School, e publicado na British Medical Journal.

Em um estudo muito bem conduzido ele avaliou a mudança de quanto cada pessoa gastava de energia para manter seu peso, com 3 dietas distintas em quantidade de carboidratos, ao final de 20 semanas.

Os com dieta alta em carboidratos consumiam 60% da suas calorias em carboidratos, moderada consumiam 40% e baixa consumiam 20%. A quantidade de proteína foi igual nos 3 grupos, 20%. O restante das calorias vinha de gorduras.

Toda a alimentação foi fornecida pelo pesquisador e ajustada a quantidade de alimento regularmente para que os participantes não perdessem peso em relação ao início da fase de teste. Isto porque cada participante já tinha participado de uma fase e perdido 12% do seu peso antes de ser randomizado para uma dieta.

Participaram da pesquisa 164 pessoas com IMC médio entre 31,7 e 33,5, ou seja, todos os grupos eram obesos. Eles se pesaram diariamente em uma balança com Wi-fi. Assim a quantidade de alimento era ajustada para que não ocorresse perda de peso significativa.

A quantidade de atividade física não variou significativamente entre os grupos.

Resultados desta pesquisa:

Os pacientes com a dieta baixa em carboidratos e alta em gorduras gastavam, em média, 278 Kcal/dia a mais do que o grupo da dieta com muito carboidratos para manter o peso. Os pacientes com a dieta moderada em carboidratos gastava, em média, 131 Kcal/dia a mais do que o grupo da dieta com muito carboidratos para manter o peso. E quanto mais alta era a insulina antes de participar da pesquisa maior era o gasto de calorias dos pacientes com baixo carboidrato em relação ao grupo de alto carboidratos, chegou a 478 Kcal/dia. Ou seja, os pacientes com baixo carboidratos precisavam comer mais para manter o peso! Este é o sonho de consumo para alguns seres mortais!

O grupo de pacientes da dieta de alto carboidratos apresentou piora dos níveis de triglicerídeos, ou seja, aumentou, e apresentou diminuição do colesterol HDL, ambos de maneira significativa. Traduzindo: piora dos parâmetros lipídicos o que pode aumentar o risco para desenvolver doenças cardiovasculares.

O estudo analisou também o que ocorreu com os hormônios grelina (que sinaliza fome) e leptina (que sinaliza saciedade) e ambos ficaram significativamente mais baixos no grupo que ingeriu menos carboidratos, indicando melhor sensibilidade a estes hormônios para os que ingeriam a dieta com pouco carboidrato.

Como foi calculado este gasto calórico? Através de um dos melhores métodos que utiliza água marcada e analisa o metabolismo do hidrogênio e oxigênio desta água no corpo dos participantes.

Mais uma evidência que as dietas com pouco carboidratos podem contribuir para a perda de peso e melhora hormonal, sem sacrifícios de ficar passando fome com restrição calórica e/ou exercitar-se demais. Se seu médico e/ou nutricionista insistem em passar uma dieta rica em carboidratos para você perder peso, de acordo com esta pesquisa, eles podem está usando a estratégia errada…

Complicações do diabetes tipo 2

No post anterior escrevi sobre as complicações microvasculares do diabetes. Hoje escreverei sobre as complicações macrovasculares mais comuns.

Aterosclerose. A aterosclerose é a deposição do colesterol oxidado (modificado) nas artérias que estão inflamadas. Isto leva ao enrijecimento e estreitamento das artérias, reduzindo a chegada de oxigênio e nutrientes para as células irrigadas pela artéria comprometida.

Quando o estreitamento é total ou severo ocorre, por exemplo, o infarto do miocárdio ou angina, no coração, acidente vascular cerebral no cérebro, e a doença vascular periférica nas pernas. O diabético tem um risco muito maior de aterosclerose. Para você compreender mais fácil o quanto o diabetes é grave imagine um paciente sem diabetes que infartou. Pensou? O risco de um diabético ter um primeiro infarto é semelhante ao desta pessoa que já infartou uma vez ter um segundo infarto! Diabetes não é brincadeira! É uma doença silenciosa que quando fala pode ter consequências letais ou incapacitantes!

A aterosclerose vai acontecer em uma região inflamada das artérias. Esta inflamação é favorecida pelo tabagismo, diabetes, estresse, pressão alta e falta de exercícios, ou seja, por situações que você pode mudar através de hábitos de vida saudáveis.

Doenças cardíacas. O infarto do miocárdio é a complicação mais comum e mais temida do diabético. Dados do estudo de Framingham mostram que o diabético tem o dobro de risco de infarto do miocárdio. A maioria dos diabéticos acima de 65 anos morrerá por causa cardíaca ou acidente vascular cerebral. Os demais sobreviventes poderão ser acometidos de incapacitações que restringirão sua qualidade de vida.

Acidente vascular cerebral (AVC). Acontece quando ocorre a obstrução da artéria que irriga o cérebro. Dependendo da artéria comprometida os sintomas variam. Alguns podem apresentar dificuldade para falar, outros para movimentar um lado do corpo, outros perdem a consciência, outros perdem a sensibilidade… O diabético tem um risco 150% maior de apresentar AVC.

Doença vascular periférica. É a obstrução nas artérias que irrigam as pernas causada pela aterosclerose. Geralmente provoca dor, por exemplo, nas panturrilhas, ao caminhar, podendo levar ao longo dos anos a incapacitação. Também contribui para dificuldade de cicatrização de ferimentos nos pés. Se além do diabetes o paciente fumar aí o risco de desenvolver aterosclerose é aumentado ainda mais.

Outras doenças são mais comuns nos diabéticos. O mal de Alzheimer que provoca perda da memória, mudança de personalidade e problemas cognitivos tem sido chamado de diabetes tipo 3 por alguns pesquisadores devido a íntima relação entre diabetes e Alzheimer.

A esteatose hepática também tem sido relacionada com diabetes.

Maior facilidade de ser acometido por infecções, tanto bacterianas como por fungos.

Disfunção erétil é três vezes mais comum nos homens diabéticos do que naqueles não diabéticos. Estima-se que 50% dos homens diabéticos com mais de 50 anos tenham disfunção erétil.

A lista de danos que a glicose elevada, comum nos diabéticos, pode levar é grande. Então converse com seu médico sobre seu risco de tornar-se diabético. A dosagem de glicose no sangue é um dos parâmetros para diagnóstico de diabetes. Para a prevenção há outros exames que seu médico pode solicitar que avaliar o risco de você tornar-se diabético.

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Tem alguma sugestão de tema para ser abordado? Escreva aqui nos comentários ou envie um e-mail para sidneycunha@sidneycunha.com.br.

Até o próximo post!

Como passar por Dezembro sem engordar?!

Estamos chegando ao fim de 2018! Dezembro, mês rico em confraternizações do trabalho, escola ou universidade, família e as famosas ceias de Natal e Réveillon.

Comida e bebida farta, uma tentação para comermos mais do que precisamos e como resultado ganho de alguns quilos na balança que nem sempre serão fáceis de eliminar. E caso esta história se repita a cada ano a numeração da roupa só tende a aumentar…

O problema não é somente estético, é também prejudicial para a saúde, haja vista que quanto mais gordura acumulamos, maior o nível de substâncias inflamatórias circulantes, o que leva a danos para nossa saúde.

Mas saiba que é possível passar por Dezembro sem engordar e sem abrir mão das confraternizações com os amigos e amigas!

Uma das estratégias é através do jejum intermitente. Jejum intermitente é você abrir mão conscientemente de alimentar-se, ou seja, você determina que só irá alimentar-se após, por exemplo, 16 horas sem alimentar-se.

Difícil? Não!!! Se você jantar às 20:00 horas, pular o café-da-manhã do dia seguinte e almoçar às 12:00 horas você ficou de jejum 16 horas.

Há vários protocolos de jejum intermitente:  alguns ficam 16 horas sem alimentar-se, outros 20 ou 24 horas, uns praticam o jejum intermitente uma vez por semana, outros 2 ou mais dias da semana.

Estudos demonstram que o jejum intermitente é mais tolerável a longo prazo do que restringir a quantidade de calorias todos os dias, como fazem boa parte das dietas. Isto ocorre porque neste último você precisa ficar contando toda e qualquer caloria que você ingerir, o dia todo e todos os dias. Se torna estressante.

No jejum intermitente você simplesmente não come por um período determinado por você e nos demais períodos come normalmente. Importante ressaltar a necessidade de manter um balanço adequado entre as proteínas, gorduras e carboidratos complexos na dieta, tanto nas refeições no dia do jejum, quanto nos dias de alimentação normal.

Além de reduzir o peso, há melhora em vários parâmetros da saúde, como por exemplo, aumento do HDL (colesterol bom), redução dos triglicérides, da insulina e da glicose, e redução do LDL (colesterol ruim). Ou seja, ocorre redução do risco cardiovascular e  metabólico. Estudos sugerem melhoras também na memória, redução do risco de câncer e melhora da resposta ao tratamento do câncer, e melhora da flora intestinal, que leva entre outras coisas a melhor digestão.

Algo que faço diariamente, inclusive nos dias de jejum, é tomar um suplemento com algumas vitaminas e minerais. Como não sei se o agricultor tem reposto todos os nutrientes do solo onde ele planta os vegetais que consumimos em casa, optei por repor estes suplementos. Não podemos esquecer também do ômega 3! Importantíssimo para nossa saúde! Escrevi aqui sobre o resultado de grande estudo do ômega 3.

Caso esteja pensando como implementar o jejum intermitente este mês para evitar engordar e melhorar sua saúde converse com seu médico ou nutricionista de confiança para orientá-lo. Até o próximo post.

Vitamina D tem papel na prevenção cardiovasular? E na prevenção de câncer?

Neste post vou abordar a conclusão do estudo VITAL apresentado no Congresso da American Heart Association, um dos maiores congressos da cardiologia realizado agora em novembro/2018, e publicado no mesmo dia da sua apresentação no congresso na conceituada revista médica New England Journal of Medicine. Este estudo avaliou o efeito da suplementação de uma dose fixa de vitamina D de 2000 UI ao dia, sem meta a ser alcançada, dose fixa de ômega 3 1g por dia, e placebo de um de ambos. Este post é sobre o uso da vitamina D 2000 UI. Para saber sobre os dados do ômega 3 acesse o post anterior aqui.

Por que este estudo foi feito?

Estudos observacionais mostram que em regiões mais ensolaradas, onde há maior produção de vitamina D, a mortalidade por câncer e doença cardiovascular são menores. Estes estudos também mostram que quanto mais baixo os níveis de vitamina D maior o risco de câncer e doença cardiovascular.

Neste estudo, 25.871 pessoas, sem problemas cardiovasculares ou de câncer prévios, 51% deles mulheres com mais de 55 anos e 49% homens maiores de 50 anos, foram divididos para tomar uma dose fixa de vitamina D de 2000 ui ao dia ou placebo (cápsula com aparência igual, mas sem a vitamina D). A média das idades era 67 anos.

Das 25.871 pessoas do estudo foi coletado sangue para avaliar os níveis de vitamina D em somente 16.956 pessoas (65,5%).

Resultados:

O acompanhamento médio foi de 5,3 anos.  A média das idades era 67,1 anos. Dos participantes, 20% se declararam negros.

Entre os 15.787 participantes que dosaram vitamina D a média foi 30,8 ng/ml. 12,7% tinham valores <20 ng/ml e 32,2% entre 20 e 30 ng/ml. Destes quase 16.000 participantes foi dosado a vitamina D novamente após 1 ano em apenas 1.644 participantes que tomaram a vitamina D 2.000 UI/dia e encontrado valor de 41,8 ng/ml, aumento de quase 40%.

Quanto a incidência de câncer não houve diferença estatística significativa entre os dois grupos. Porém, no grupo que usou vitamina D 2000 UI a mortalidade foi 17% menor, sem significância estatística entre os grupos.

Quanto a incidência de eventos cardiovasculares não houve diferença entre os 2 grupos com esta dose de vitamina D 2000 UI/dia.

Mais um ponto positivo em ter o peso normal: as pessoas que tinham o IMC <25 tiveram um risco 24% menor de ter câncer quando receberam a vitamina D 2000 UI por dia. E quanto mais gordinho maior o risco de ter câncer!

Quais os modos que a Vitamina D pode contribuir na prevenção e, eventualmente, no tratamento do câncer? A vitamina D é capaz de inibir a proliferação da célula cancerígena, tem propriedades anti-inflamatórias, é imunomoduladora (melhora nosso sistema imune para combater a célula cancerígena), é pró-apoptótica (faz com que a célula cancerígena se suicide) e tem efeito anti-angiogênino (não forma novos vasos sanguíneos para o câncer crescer).

Resumo deste estudo: tomar vitamina D 2000 UI/dia reduz, por exemplo, o número de infarto agudo do miocárdio? Não.

E previne câncer? Esta dose de vitamina D 2000 ui pode prevenir sim a incidência de câncer caso a pessoa seja magra, que é ter IMC<25, e também pode reduzir a mortalidade!

Pergunta sem resposta deste estudo: quais os efeitos da vitamina D em doses mais altas? Não sabemos, mais alguns autores defendem doses bem maiores, 5.000 a 10.000 UI por dia, e níveis sanguíneos entre 50 e 100, níveis estes bem maiores do que os atingidos nesta pesquisa que foi de 40.

Você tem níveis de vitamina D adequados?

Tem conseguido manter seu IMC abaixo de 25?

Ômega 3 previne infarto do miocárdio!

Esta é a conclusão do estudo VITAL apresentado no Congresso da American Heart Association, um dos maiores congressos da cardiologia realizado agora em novembro/2018, e publicado no mesmo dia da sua apresentação no congresso na conceituada revista médica New England Journal of Medicine.

Neste estudo, 25.871 pessoas, sem problemas cardiovasculares prévios, 51% deles mulheres com mais de 55 anos e 49% homens maiores de 50 anos, foram divididos para tomar 1 grama de ômega 3 ao dia ou placebo (cápsula com aparência igual, mas sem o ômega 3). A média das idades era 67 anos.

O objetivo primário da pesquisa era avaliar o efeito desta dose de ômega 3 na incidência da soma da ocorrência de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte de causa cardiovascular, chamamos de eventos cardiovasculares maiores.

Após 5,3 anos de acompanhamento médio, o grupo que tomou ômega 3 teve 386 eventos cardiovasculares maiores e o que não tomou o ômega 3 teve 419, não obtendo significância estatística, apesar de ser número menor de eventos. Porém ao analisar itens isolados deste estudo concluímos que, mesmo doses pequenas de ômega 3, 1 grama, como a utilizada nesta pesquisa, ocorreu redução significativa do número total de infarto do miocárdio (145 contra 200, redução de 28%), do número de angioplastia coronária (162 contra 208, redução de 22%), do número total de doença coronária (308 contra 370, redução de 17%) e do número de morte por infarto do miocárdio (13 contra 26, redução de 50%).

O estudo VITAL sugere que o benefício foi maior nas pessoas que consumiam menos de 1,5 porções de peixes por semana e fizeram a suplementação com 1 grama de ômega 3.

A hipótese que ômega 3 confere proteção coronária é biologicamente plausível. Isto ocorre porque o ômega 3 tem efeito antitrombótico (evita formar coágulos), reduz triglicerídeos, reduz a pressão arterial, tem efeito anti-inflamatórios (a doença coronariana é uma doença inflamatória), impede o crescimento da placa aterosclerótica, diminui frequência cardíaca, reduz suscetibilidade a arritmia e aumenta a produção de óxido nítrico no endotélio (que provoca relaxamento da artéria).

Há pesquisadores que sugerem que o benefício do ômega 3 é maior quando se usa doses maiores, por exemplo, até 6 gramas/dia. Infelizmente o estudo VITAL usou uma dose fixa de apenas 1 grama de ômega 3 por dia, não podendo avaliar se esta hipótese é verdade. Neste estudo também não foi avaliado o grau de inflação destes pacientes no início da pesquisa, por exemplo, através da PCR ultrassensível, para avaliar a redução com o uso do ômega 3.

O estudo VITAL também avaliou a incidência de câncer nestes pacientes e não houve diferença significativa. Também foi avaliado efeito de suplementação de vitamina D, mas sobre isto vou abordar em outro post.

E você tem ingerido peixe regularmente rico em ômega 3? São os peixes de água salgada profunda os mais ricos em ômega 3.