Diferença entre Low Carb e Dieta Cetogênica

No último Globo Repórter o assunto foi carboidrato.

Com certeza você já deve ter ouvido bastante sobre essas duas dietas, low carb e cetogênica, e talvez possa ter ficado um pouco confuso se elas não seriam basicamente a mesma coisa.

A dieta cetogênica é uma dieta low carb mas uma dieta low carb pode ou não ser cetogênica.

Na verdade tanto a Low Carb como a Keto (ou dieta cetogênica) são dietas com limitantes na quantidade de carboidratos. Em uma dieta low carb há diferentes faixas de “adesão” por assim dizer – o consumo diário de carboidratos pode variar de 100g a 20g por dia. O último estágio de uma dieta low carb pode ser considerado a dieta cetogênica, onde se limita ao máximo de 20g de carboidrato por dia.

Mas qual o objetivo dessas estratégias alimentares?

Em primeiro lugar ambas limitam a quantidade de carboidratos na dieta e buscam o uso de gorduras como forma de energia. A dieta cetogênica busca uma redução acentuada na ingesta de carboidratos, com objetivo de alcançar um estado metabólico conhecido como cetose – esse estado é alcançado quando há ausência de glicose sanguínea e o organismo busca utilização da gordura como forma de gerar energia.

Apesar de parecer tudo muito fácil, na prática não é bem assim. Algumas pessoas podem alcançar um estado de cetose com relativa facilidade, sem uma redução tão drástica do consumo de carboidratos, enquanto para outros chegar nesse estado (e permanecer nele) é bem mais sofrido.

A dieta cetogênica pode ajudar em diversas situações clínicas, como obesidade, epilepsia, Alzheimer, Parkinson, diabetes mellitus tipo 2, síndrome de ovários policísticos, alguns tipos de câncer, enxaqueca entre outras condições.

Mas atenção: uma estratégia low carb pode vir acompanhada de efeitos colaterais e talvez não seja a melhor opção para você.

Na dúvida se a dieta cetogênica ou se a low carb é para você? Procure um médico e avalie os prós e contras de cada abordagem e os possíveis benefícios no seu caso.

Referências:
Paoli A. Ketogenic diet for obesity: friend or foe?. Int J Environ Res Public Health. 2014;11(2):2092-107. Published 2014 Feb 19. doi:10.3390/ijerph110202092

Deficiência de vitamina D e depressão

Nos últimos anos cada vez mais surgem evidências do papel da vitamina D em diversos processos metabólicos e não somente na saúde óssea – há estudos relacionando a deficiência dessa vitamina a Alzheimer, austimo, transtorno de déficit de atenção, hiperatividade e deficiência cognitiva.

A vitamina D participa da modulação de mais de 2.000 genes diferentes e já há evidências do seu papel no sistema cardiovascular, imunológico (como no tratamento de esclerose múltipla) e na parte óssea.

Um estudo recente com aproximadamente 4.000 pessoas com mais de 50 anos que participaram do estudo TILDA (The Irish LongituDinal Study on Ageing). Os participantes foram acompanhados durante seis anos utilizando questionários padronizados para depressão e verificou-se que os indivíduos com deficiência de vitamina D tiveram risco 75% maior de desenvolver depressão. Os autores do estudo estimam que o desenvolvimento ou agravamento de quadros de depressão poderiam ser atenuados ou até mesmo evitados com níveis adequados de vitamina D.

Porém, antes de começar a suplementar vitamina D por conta própria, consulte seu médico. Ele poderá orientar sobre a melhor forma de manter seus níveis de vitamina D dentro do adequado.

Diabetes tipo 2 e suas complicações

Diabetes é uma das doenças mais devastadoras que conhecemos. Isto acontece porque a glicose elevada, circulando no sangue, consegue atingir todos os órgãos do corpo, literalmente, da cabeça aos pés.

Segundo a Associação Americana de Diabetes, na sua diretriz publicada agora em 2019, o diagnóstico de diabetes é feito por alguma das alterações abaixo:

  1. Glicemia ≥ 126 mg/dL com jejum de pelo menos 8 horas; ou
  2. Glicemia ≥ 200 mg/dL no teste de tolerância a glicose que consiste na ingestão de um suco com 75 g de glicose anidra; ou
  3. Hemoglobina glicada ≥ 6,5 %; ou
  4. Glicemia ≥ 200 mg/dL em paciente com sintomas clássicos de hiperglicemia em dosagem aleatória da glicemia.

Um dos mecanismos que torna o diabetes devastador é o processo que chamamos de glicação. O excesso de glicose na circulação se liga a alguma proteína no corpo prejudicando, ou até acabando, com a função daquela proteína.

Um exemplo de proteína glicada, utilizada até para o diagnóstico e controle do tratamento do diabetes , é a hemoglobina glicada. Uma hemoglobina glicada igual a 8%, por exemplo, significa que a pessoa é diabética e que 8% da hemoglobina presente nas hemácias está ligada moléculas de glicose. Consequência disto? Estas hemácias não transportam mais o oxigênio essencial para o funcionamento das células!

O processo de glicação contribui também para inflamar o corpo e tornar as células mais suscetíveis a dano pelo estresse oxidativo, que contribuirão para acelerar o processo de envelhecimento, diminuindo a expectativa de vida dos diabéticos.

A expectativa de vida reduzida e com qualidade ruim é consequência das complicações microvasculares (dano em vasos pequenos) e macrovasculares (dano em vasos grandes).

As complicações microvasculares mais comuns são citadas abaixo:

Retinopatia diabética. É a principal causa de cegueira nos Estados Unidos. Na retinopatia diabética os vasos da retina se tornam frágeis e há vazamento de sangue na retina, provocando uma reação inflamatória e cicatrização; este processo se repete continuamente até chegar um momento que a pessoa não enxerga mais.

Nefropatia diabética. É uma das principais, talvez a maior, causa de insuficiência renal terminal, aquela que obriga a pessoa fazer hemodiálise para filtrar as toxinas do sangue porque os seus rins param de funcionar, por 3 horas, 3 vezes por semana, por exemplo.

A cada ano 2% dos diabéticos do tipo 2 terão sintomas renais. Em 10 anos estima-se que 25% dos diabéticos tipo 2 terão problemas renais. A notícia ruim é que depois de instalada a nefropatia diabética ela só tende a piorar.

Neuropatia diabética. Outra complicação microvascular comum que pode afetar de 60% a 70% dos diabéticos, sendo mais comum nos que tem diabetes há mais tempo. Geralmente, o comprometimento começa nas extremidades, nos pés, depois as mãos, depois os braços.

A depender do nervo comprometido o diabético pode relatar formigamento, insensibilidade, queimação e/ou dor.

A dor causada pela neuropatia diabética severa é debilitante e costuma piorar à noite, com pouca melhora com analgésicos, mesmo os mais potentes.

Quando a neuropatia diabética compromete os nervos que controlam a respiração, digestão, transpiração e coração, o diabético pode sentir, mais frequentemente, náuseas, vômitos, constipação, diarreia, disfunção erétil e hipotensão, entre outros sintomas. Estas lesões nos nervos, depois de instaladas, também só tendem a piorar, então o melhor tratamento é a prevenção.

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No próximo post falarei sobre as complicações macrovasculares do diabetes tipo 2.

Dieta Mediterrânea suplementada com azeite de oliva extra-virgem ou castanhas pode prevenir doença cardiovascular!

Esta é a conclusão do estudo PREDIMED, publicado na conceituada revista médica New England Journal of Medicine em 21 de junho de 2018.

Estudos observacionais tinham mostrado que a dieta Mediterrânea, caracterizada pela grande ingestão de azeite de oliva, frutas, castanhas e vegetais, moderada de peixe e aves, e baixa de ingestão de carne processada e açúcar, além da ingestão de vinho moderada, estava associada com menor risco cardiovascular, sendo por isto considerada a dieta modelo para proteção contra doença cardiovascular, que é a principal causa de morte ou restrição da qualidade de vida da maior parte da população.

O estudo PREDIMED foi realizado na Espanha. Participaram 7.447 homens (55 a 80 anos) e mulheres (60 a 80 anos) sem doença cardiovascular conhecida, em média com 67 anos, IMC de 29,9, que tinham diabetes tipo 2 (49%) ou 3 fatores de risco (tabagismo – 14%, hipertensão – 82,5%, colesterol LDL elevado e/ou colesterol HDL baixo – 72%, sobrepeso ou obesidade ou história familiar precoce para doença coronária -22%), ou seja, alto risco para doença cardiovascular, selecionados aleatoriamente para seguir uma de 3 dietas: Mediterrânea suplementada com azeite de oliva extra-virgem, Mediterrânea suplementada com castanhas e dieta controle (pouca gordura).

O grupo selecionado para dieta Mediterrânea suplementada com o azeite de oliva extra-virgem recebeu o azeite com a recomendação de consumir 4 colheres de sopa ao dia. O grupo selecionado para dieta Mediterrânea com castanhas recebeu 30 gramas de castanhas variadas para consumir diariamente. O grupo da dieta normal recebeu pequenos presentes que não eram alimentos. Não houve restrição quanto a quantidade de calorias ingeridas e nem não receberam orientações quanto a realizar atividade física.

O objetivo do estudo era avaliar se ocorreria diferença no número de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte de causa cardiovascular entre as 3 dietas, chamamos isto de end point primário. O end point secundário eram os itens acima mais morte por qualquer causa.

Os participantes foram acompanhados por 4,8 anos em média. Os 3 grupos eram homogêneos quanto ao uso de medicamentos para as doenças que possuiam. Por tratar-se apenas de intervenção dietética não ocorreu efeito adverso significativo em nenhum dos grupos. A redução de risco do end point primário foi de 30% para a dieta Mediterrânea suplementada com azeite de oliva ou castanha quando comparado com a dieta baixa em gordura. No grupo da dieta Mediterrânea ocorreu redução de risco de acidente vascular cerebral de 42%, infarto do miocárdio de 20% e morte por causa cardiovascular de 20%.

Quanto mais os participantes aderiram a dieta Mediterrânea, menor o risco de doença cardiovascular.

No post anterior escrevi sobre a redução no número de fraturas em pacientes com osteoporose que mais ingerem azeite de oliva extra-virgem quando comparado aos que menos ingerem. Hoje vimos o benefício na prevenção de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e redução das mortes de causa cardiovascular.

Não vejo isto como uma surpresa. Cada célula do nosso corpo, exceto as células que não tem núcleo, como as hemácias, tem o mesmo DNA e demais estruturas de uma célula semelhantes, com mesmas necessidades para desempenhar sua função; ou seja, se algo faz bem para a célula do seu coração não faz sentido achar que fará mal para a célula do seu cérebro.

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Até o próximo post.

Pantoprazol não reduz mortes na UTI em pacientes graves!

Esta é a conclusão do estudo SUP-ICU publicado hoje na conceituada revista New England Journal of medicine.

Esta pesquisa foi realizada para esclarecer se usar pantoprazol em pacientes graves internados em caráter de emergência em UTIs da Europa, reduziria o número de mortes em 90 dias. Pesquisa anterior já sugeria que não teria benefício, mas mesmo assim realizou-se esta pesquisa. Esta pesquisa não foi patrocinada pela indústria farmacêutica.

Participaram 3298 pacientes internados  em UTI em caráter de emergência com fatores de risco para desenvolver sangramento intestinal, que eram usar ventilação mecânica, ter distúrbio de coagulação, insuficiência hepática ou renal, foram randomizados para receber pantoprazol 40 mg na veia ou placebo. Neste tipo de paciente há maior risco de infecção por Clostridium difficile, pneumonia e infarto do miocárdio, segundo pesquisas anteriores, o seria responsável pela perda de benefício do remédio. Vale ressaltar que este tipo de medicação não é aprovada pelo FDA (anvisa dos Estados Unidos) para ser usado como prevenção de sangramento gástrico.

Resultados:

Receberam pantoprazol 1645 pacientes e placebo 1653 pacientes. No grupo que recebeu pantoprazol morreram 510 pacientes (31,1%) e no grupo placebo morreram 499 (30,4%), diferença que não obteve significância estatística. Curiosamente, quanto mais grave o paciente pela classificação SAPS II mais pacientes faleceram no grupo que usou pantoprazol.

Assim surge a dúvida: se pantoprazol não reduziu a mortalidade em pacientes graves, com fatores de risco para sangramento gástrico, será que tem benefício em pessoas saudáveis que fazem uso como “prevenção de gastrite e úlcera”?

Esta pesquisa não avaliou esta situação… mas acho que também não teria benefício.

Além disso vejam a relação de efeitos adversos segundo o site epocrates.com:

nefrite, pancreatite, fraturas, perda de sódio e magnésio, lupus, piora da função hepática e renal, dor de cabeça, diarréia, dor abdominal, náusea, vômito, febre, gases, artralgia, deficiência de vitamina B12, pólipos no estômago, e várias outras possibilidades.

Ler bula de remédio às vezes assusta…

Você toma pantoprazol ou medicação semelhante?

Converse com seu médico para avaliar se você realmente precisa deste tipo de medicação, se terá algum benefício para sua saúde.

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Até o próximo post.

Você sabe o que é a medicina funcional?

A Medicina Funcional é uma maneira ampla de atuação do médico. O foco da medicina funcional é tentar determinar como e por que a doença ocorre para implementar medidas para restaurar a saúde, atuando nas causas da doença para cada indivíduo, como também atuando na prevenção das doenças.

Mas você poderia pensar que todo médico já faz isso. Esta seria a maneira ideal, mas nem sempre é assim…

Apenas para exemplificar como as abordagens podem ser diferentes, de uma maneira exagerada: um homem, obeso, sedentário, estressado, com 40 anos de idade, vai no consultório do médico para fazer um check-up, e entre os exames que ele levou, a glicose estava em 130 mg/dL.

Vamos pensar em 2 possibilidades de atuação. Na primeira o médico olha o resultado da glicose, faz o diagnóstico de diabetes melitos tipo 2 e passa medicação para baixar a glicose somente.

Na segunda, que é a maneira da medicina funcional, antes de passar alguma medicação, o médico conversa com o paciente, investiga seus hábitos alimentares que podem ter levado ele a ser obeso e ter esta glicemia elevada (se ingere muitas massas, por exemplo, ou ingere bebidas açucaradas ou ingere cerveja e com qual regularidade e quantidade); investiga a história de doenças que já ocorreram na família para avaliar risco futuro destas mesmas doenças o acometerem; investiga por que ele é estressado; se dorme mal; se tem muitas responsabilidades no trabalho ou financeiras; o sedentarismo é por falta de tempo, ou motivação, ou falta energia; entre outras situações que podem interferir com a saúde daquele individual.

Só após avaliar todos estes fatores ele vai elaborar a melhor estratégia de acompanhamento e tratamento, por exemplo, restringindo a ingestão de carboidratos simples, processados, ingestão de bebidas calóricas, orientando como combater o estresse, otimizando a qualidade do sono e orientando sobre alguma prática de esporte. E, claro,  em alguns casos vai prescrever medicação.

Assim, o modelo da Medicina Funcional é uma abordagem individualizada, centrada no paciente, baseada na ciência, que permite que os pacientes e médicos trabalhem juntos para abordar as causas subjacentes da doença e promover um bem-estar ideal. Isso requer uma compreensão detalhada dos fatores genéticos, bioquímicos e de estilo de vida de cada paciente e aproveita esses dados para direcionar planos de tratamento personalizados que levam a melhores resultados para os pacientes.

Ao abordar a causa raiz da doença e não os sintomas, os profissionais se orientam a identificar a complexidade da doença. Eles podem achar que uma condição tem muitas causas diferentes e, do mesmo modo, uma causa pode resultar em muitas condições diferentes. Como resultado, o tratamento da Medicina Funcional visa as manifestações específicas da doença em cada indivíduo.

E você já teve alguma experiência com médico funcional? Deixe seu comentário.

Até o próximo post.

AAS infantil faz bem para todas as pessoas?

 

 

Não… É o que concluiu estudo publicado dia 18/10/2018 na conceituada revista médica New England Journal of Medicine.

Não resta dúvida que a aspirina é benéfica em pessoas que já sofreram infarto ou isquemia cerebral, por exemplos.

Porém havia dúvida se também beneficiaria pessoas idosas saudáveis. Para esclarecer esta dúvida, mais de 19000 australianos e americanos, saudáveis, com 70 anos ou mais, foram divididos para tomar aspirina 100 mg uma vez ao dia, ou comprimido de placebo (comprimido com tamanho e cor igual ao da aspirina, mas que não tinha a medicação testada).

Ao final de 5 anos tomando a medicação tanto as pessoas que tomaram a aspirina como as que tomaram só o placebo tiveram problemas de saúde semelhantes, ou seja, não fez diferença nenhuma tomar aspirina tanto tempo. Porém a ocorrência de hemorragias, foi 38% maior nas pessoas que tomaram a aspirina…

Então não saia por aí tomando medicação sozinho, converse sempre com seu médico antes de tomar qualquer medicação.

Diabetes tipo 2 e resistência a insulina

O que uma mala abarrotada de roupas tem a ver com diabetes tipo 2 e resistência a insulina? Vamos descobrir?

Do mesmo modo que a mala da foto acima está cheia de roupas, sendo praticamente impossível colocar mais uma peça de roupa dento da mala… no corpo do paciente diabético tipo 2, as células estão cheias de glicose, sendo praticamente impossível colocar mais glicose para dentro da célula! Consequência disto? A glicose no seu sangue fica elevada, o que vai levar às complicações do diabetes: maior risco de infarto, angina, acidente vascular cerebral, perda da visão, hemodiálise, amputações, entre outras complicações.

Vamos entender como o processo ocorre.

No início, em uma célula normal, há pouca glicose, assim, ao ingerirmos um carboidrato, que gera glicose na corrente sanguínea, esta passará com facilidade para dentro da célula, e o nível de insulina no sangue fica em nível normal. É o equivalente a quando vamos arrumar a mala para viajar, no início quando ela está vazia não há dificuldade para colocar cada peça de roupa lá dentro.

Com o passar do tempo, se a pessoa alimenta-se com muito carboidrato, que gera muita glicose, as células passam a acumular muita glicose dentro delas, até que pode chegar um momento onde a glicose não entra com facilidade na célula. Seria igual uma mala que já está cheia de roupas, já teremos dificuldade de colocar mais roupa lá dentro e conseguir fechar a mala… Como as células já estão cheias de glicose, a glicose aumenta no sangue, que sinaliza ao pâncreas para liberar mais e mais insulina para fazer a glicose entrar na célula. Às vezes isto é suficiente, porém até um certo limite, momento no qual a glicose não consegue mais entrar na célula apesar do excesso de insulina no sangue… É isto que chamamos de resistência a insulina, a situação onde a produção de insulina pelo pâncreas está muito elevada, porque as células já não consegue colocar a glicose para dentro das células com nível de insulina normal, ou seja, as células estão resistindo a ação da insulina. Se este processo demorar muitos meses a anos a glicose ficará constantemente elevada e só então a pessoa será diagnosticada como diabético. Ou seja, a pessoa não vai dormir uma noite saudável e acorda na manhã seguinte com glicemia acima de 126 mg/dL! Este processo demora anos! Então porque esperar ser diagnosticado como diabético para tratar? Converse com seu médico sobre seu risco de ter resistência insulínica…

A resistência a insulina é o equivalente a mala muito cheia de roupa, onde devemos fazer um esforço enorme para colocar mais roupa dentro da mala e conseguir fechar. O diabético tipo 2 seria o equivalente a não conseguir fechar a mala apesar de 1 ou 2 pessoas sentarem na mala para tentar fechar-la.

Em termos de tratamento existem algumas opções disponíveis, tanto medicamentosa como mudança de estilo de vida. Acho que mudar o estilo de vida tem que fazer parte do tratamento. Já que o problema é excesso de glicose dentro da célula, que veio do sangue, que veio do que você comeu, que tal reduzir a ingestão de carboidratos? Faz sentido para você também? Para mim faz todo sentido e é este estilo alimentar que sigo, o que me permite manter minha glicemia, hemoglobina glicada e nível de insulina na faixa normal, sem nenhuma outra intervenção. Mas o que fazer com o excesso de glicose que já está acumulado nas células e no sangue? Gaste este excesso com alguma atividade física, simples, prazerosa para você, não precisa correr uma maratona para isto…

Encerro com a sugestão de você conversar com seu médico sobre a realização de exames mais detalhados do perfil glicêmico no seu próximo check-up. Hemoglobina glicada e dosagem de insulina com índice HOMA IR, uteis na pesquisa de resistência a insulina, podem nos indicar sobre seu risco de torna-se diabético no futuro e servir como estímulo para você mudar seu estilo de vida.

Como melhorar o sono e sua saúde.

Na postagem anterior comentei o quanto dormir bem pode melhorar a saúde sexual. Saiba que a falta de sono pode comprometer a nossa saúde como um todo. Há uma pesquisa que mostrou que as pessoas que dormem menos de 6 horas por noite tem um risco de morte 12% maior do que as pessoas que dormem mais de 6 horas por noite ao longo de 25 anos. Por que estas pessoas morrem mais? Porque elas são mais propensas a serem obesas, hipertensas, cardiopatas e terem a imunidade comprometida.

Alguns fatores tem contribuído para estas noites de sono mal dormidas: dormir tarde, ingestão de bebidas cafeinadas à noite, desequilíbrio hormonal – principalmente os produzidos pelas adrenais, má alimentação, ambiente inadequado para dormir, entre outros fatores.

Se você, como eu, quer fazer parte dos que dormem bem e vivem mais, abaixo estão algumas dicas, de fácil implementação, que trarão benefícios enormes para sua saúde!

Vá dormir cedo, preferencialmente, antes das 10 da noite, diariamente, assim você consegue equilibrar a produção e liberação dos hormônios no seu corpo, essenciais para renovar suas células e órgãos, contribuindo assim para uma boa saúde. Isto é o ritmo circadiano.

Durma em um ambiente totalmente escuro! Qualquer luz pode interferir com a produção da melatonina, o hormônio do sono. Então nada de janela aberta permitindo a luz da rua iluminar seu quarto; mantenha a luz do quarto, corredor e banheiro apagadas; cubra a luz dos relógios digitais para que o ambiente que você vai dormir esteja totalmente escuro. E, preferencialmente, nada de assistir televisão, mexer em computador, celular ou tabletes após 8 da noite! A luz emitida por estes aparelhos inibe a produção de melatonina e atrapalham o sono também!

Tenha contato com a luz solar, quanto mais vezes ao dia melhor, assim ajustamos o ritmo circadiano do nosso corpo. Se tiver oportunidade ande no sol de modo que os raios solares atinjam sua pele para permitir a produção de vitamina D, substância essencial para nossa saúde (em breve farei uma postagem sobre).

Como o ideal é passarmos 8 horas dormindo, nada melhor do que investirmos em um bom colchão, bons lençóis e bons travesseiros. Lave e troque os lençóis e travesseiros regularmente.

Pesquisas sugerem que a melhor temperatura para dormir é em torno de 20°C. Tomar um banho frio antes de dormir pode ajudar no sono. Ar-condicionado e ventilador também podem ser úteis.

Tente alimentar-se até 7 da noite para que o processo de digestão do alimento não atrapalhe seu sono pelas alterações hormonais que podem ocorrer, principalmente, se esta última refeição é rica em carboidratos. Isto elevaria o nível de insulina, que faria a glicemia baixar, que estimularia a liberação de cortisol para a glicemia voltar ao normal, que interferiria nos níveis de grelina e leptina, fazendo você acordar esfomeado, querendo comer qualquer coisa, contribuindo para você ganhar peso, que contribui para uma série de problemas…

Evite ingestão de café, chás ou qualquer bebida com cafeína após 3 da tarde, para que não exista substância estimulante na circulação quando queremos relaxar.

Evite ingestão de bebida alcoólica antes de dormir, pois apesar do álcool induzir o início do sono, durante o seu metabolismo, ele pode comprometer as fases do sono, diminuindo sua qualidade, levando você a acordar mais cedo.

Você me pergunta: Como avaliar a qualidade do sono de maneira objetiva? Temos a tecnologia para nos auxiliar, através de alguns apps para smartphones, tanto para iphone como androide. Eu uso o SleepCycle. Deixo meu smartphone ao lado do travesseiro, em modo avião para diminuir os efeitos da emissão eletromagnética, e através dos sons que emito ao me mexer ele avalia qual fase de sono eu estou e me informa como foi a  qualidade do meu sono naquela noite, semana, mês, ano ou durante todos os dias que usei o aplicativo. Uma característica interessante desde app é que eu programo a hora que eu quero acordar e ele me acordará na melhor fase para isto.

Também não recomendo fazer atividade física intensa antes de dormir, pois o cortisol pode interferir com o seu sono…

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www.sidneycunha.com.br

É possível energizar a vida sexual?

Enquanto lia uma revista de grande circulação nacional vi um anúncio que dizia “Sexo é vida…”. E tenho tido relato de pacientes a respeito da sua vida sexual, que não tem tanta energia quanto antes, que o desejo pelo parceiro ou parceira diminuiu, que as relações já não são as mesmas… E em decorrência disto a autoestima pode ser comprometida.

Alguns pacientes já tem um culpado: aquele comprimido branco que vem naquela caixa com uma lista vermelha no meio que o cardiologista passou!

E, às vezes, é difícil convencer alguns pacientes que o problema pode ser a obesidade com o excesso de gordura no abdome, que faz com que os níveis de testosterona baixem pela transformação em estrógenos; ou então é a glicemia que está descontrolada, ou anda estressado, dormindo pouco, fumando demais…

Mas não pense que a falta de energia significa o fim de sua vida sexual e que não há nada a ser feito… Há algumas terapias disponíveis. Mas para escolher o melhor tratamento é necessário conhecer as causas. Algumas são físicas, outras emocionais…

Baixa hormonal é uma causa comum desta baixa energia sexual. Por exemplo, nos homens é comum os níveis de testosterona se reduzirem a partir dos 30 ou 35 anos, há uma redução na produção de, aproximadamente, 1% a cada ano que passa, e após os 50 anos esta redução pode ser até mais rápida. Por exemplo: quando a visão começa a piorar podemos usar óculos para trazer a visão ao padrão normal; se a glicemia está elevada, podemos usar uma dieta com menos carboidratos e/ou tomar algumas medicações para trazer a glicose no sangue para os níveis normais. No caso de baixa de testosterona existe a possibilidade de trazer esta testosterona aos níveis normais através de reposição; já está disponível a reposição injetável e tópica através de gel. Converse com seu médico sobre a necessidade de avaliar seu nível de testosterona e eventual tratamento.

A disfunção eréctil é outra causa que diminui a energia e desejo sexual. Isto acontece porque a auto-estima fica comprometida. Há aquele receio de falhar novamente, aí desiste até de tentar, o que pode causar problemas no relacionamento. Uma estratégia é conversar com a parceira sobre o assunto, assim, a “cobrança” diminui. Converse também com seu médico sobre o assunto, pois existem opções terapêuticas que podem ajudar a solucionar esta situação.

Dormir mal é outra fonte de problemas. Sono ruim eleva o estresse e isto pode interferir como o nosso cérebro e corpo armazenam e usam a energia.  Nosso corpo é sábio, se você está cansado, ele vai querer poupar energia, pois o mais importante é sobreviver, sexo e reprodução ficam para depois… Então tente melhorar seu sono, por exemplo, tente dormir e acordar sempre nos mesmos horários, evite ingerir bebidas estimulantes à noite, evite usar computador, tabletes ou celulares antes de dormir, e durma em quarto totalmente escuro.

Sedentarismo é outra causa de falta de energia sexual. Quer ter uma vida sexual mais ativa? Faça mais exercícios! Qual? O que você melhor se adaptar. Pode ser caminhar, correr, pedalar, nadar, dançar, cross fit, entre outras. Descubra qual exercício você mais gosta para poder ser exercitar com sua parceira ou parceiro…

Quando eu era criancinha pequena lá no interior do Ceará escutava falar que quando um não quer dois não brigam. Com relação o sexo é algo parecido: quando um não quer, dois não transam, a relação sexual não acontece, ou pelo menos, não será tão prazerosa quanto seria se os dois estivessem em sintonia, com mesmo nível de energia e desejo sexual. Vejam como Deus, ou se você preferir, como a evolução fez tudo certinho: é justamente no período que a mulher ovula que seu desejo e energia sexual estão com tudo, graças ao ajuste hormonal que acontece neste período. É por isto que após a menopausa a mulher não tem tanto desejo por sexo. E além disto a relação pode ser dolorosa, porque com a baixa hormonal não ocorre lubrificação suficiente. Creio que por isto que muitos homens compreensivos poupam as mulheres de relações dolorosas e assim a energia sexual de ambos diminuem. Como resolver isto? Meu pai me ensinou que é conversando que se entende. Converse com o(a) parceiro(a), converse com seu médico, assim fica mais fácil de manter a chama acesa.

Não deixem a rotina fazer parte da sua vida. Façam coisas novas juntos, como por exemplo, passear no clube, no parque, passar um final de semana só o casal em um hotel, fazer uma viagem romântica.

Um provérbio nos ensina que “na multidão de conselhos há sabedoria”. Então peça conselhos de pessoas especialistas no assunto, que possam orientar nesta área. Sugiro que não valorize os conselhos de pessoas que não entendem nada do assunto e que não conseguem manter um relacionamento de referência para você.

Caso tenha algum comentário escreva abaixo. Se gostou deste texto compartilhe, curta minha página no Facebook ou no Instagram. Assim mais pessoas terão acesso a este e outros textos no meu site. Bom fim de semana.