Importância da atividade física na manutenção e aumento da saúde!

Você tem praticado atividade física regularmente? Se sim parabéns! Se não, você está deixando passar uma oportunidade de manter e/ou aumentar sua saúde, principalmente, se praticar atividade física de maneira correta.

Pois dependendo do exercício e do modo que pratica os exercícios os resultados podem ser menores do que você imaginava obter.

Para aumentar a saúde e o bem-estar há exercícios melhores que outros.

Pesquisas tem mostrado que a MUSCULAÇÃO e o treino intervalado (HIIT) levam a melhores resultados.

CORRIDA também seria uma boa opção, desde que seja por até 30 minutos, segundo algumas pesquisas. Acima disso, a inflamação e produção de radicais livres poderiam trazer prejuízo à saúde. Lembra das Olimpíadas? Os corredores das provas de 100 metros, que duram 10 segundos, aparentam ter bem mais saúde do que os atletas que competem na maratona, provas que duram mais de 2 horas.

Há exercícios que vão melhorar a saúde cardiorrespiratória e há outros que vão melhorar a saúde emocional, como o Tai Chi Tchuam, por exemplo.

Qualquer exercício é melhor do que ficar parado. Por isso, os smartwatch, os relógios inteligentes, como o Apple Watch, Garmin, entre outros, já avisam os usuários que precisam movimentar-se a cada hora. Mas quanto mais intenso o exercício melhor! Então converse com seu médico e educador físico para orientar o máximo de intensidade que você pode atingir e como chegar neste máximo.

Mas por que a prática de atividade física é importante para nossa saúde?

Porque o nosso corpo se adapta a situação que está vivenciando. Exemplo: se não utilizamos os músculos dos membros superiores (braços) eles se atrofiam, porque não precisam ser grandes, gastar muita “energia” produzida pelas mitocôndrias (parte da célula que gera energia) sem tem com o que gastar, pois não são estimulados. Já no outro extremo, se fizermos muita musculação com os membros superiores, a cada dia a musculatura crescerá, conseguiremos aumentar a carga (peso) e teremos mais saúde, pois quanto mais músculo, mais saudáveis seremos por ter muitas mitocôndrias gerando energia para o nosso corpo gastar. Dificultando assim o desenvolvimento das doenças.

Atividade física pode e deve ser realizada por qualquer pessoa. É só adaptar-se a sua situação atual. Exercício físico é tão importante que pacientes submetidos a cirurgias cardíacas, ortopédicas, aguardando transplante cardíaco, entre outras, são estimulados pelos fisioterapeutas a exercitar-se precocemente, tanto na fase hospitalar como após a alta hospitalar.

Outra informação importante: Quanto maior a regularidade da atividade física semanal, melhor; respeitando sempre o período de recuperação de cada grupo muscular. Quanto mais tempo você pratica atividade física, também mais saudável será. Veja o exemplo de Abílio Diniz que começou se exercitar-se há mais de 50 anos e hoje está colhendo os frutos aos 83 anos, em plena forma física, mental e intelectual, trabalhando comandando grandes empresas.

Para obter um melhor resultado é necessário ter uma alimentação adequada.

Se tiver condições faça atividade física com supervisão na academia, por exemplo. Ou na clínica caso você precisa de supervisão especializada devido uma situação específica. Mas é possível praticar atividade física ao ar livre, nos parques ou praças. Aqui em Brasília há vários pontos onde há aparelhos nas quadras para a prática de atividade física. Em várias cidades do país existem aparelhos semelhantes. Podemos praticar também em casa assistindo vídeos no YouTube ou aplicativos dos celulares.

Para ter e/ou aumentar a saúde é necessário esforço. Por isto quanto mais intenso o exercício, quanto mais aumentar sua frequência cardíaca, ou maior o peso na musculação melhor, mais benefício para a saúde! Mas sempre faça uma avaliação antes com seu cardiologista, que possivelmente, solicitará um teste ergométrico para orientá-lo quanto esforço sua condição permite. Comece devagar e vá dificultando aos poucos a intensidade do exercício.

Nas Lives que tenho feito no Instagram tenho frisado o quanto é importante estarmos o mais conscientes possível de todos os nossos atos ao longo do dia. Está focado no que estamos fazendo. Com a atividade física é igual. Faça o exercício pensando em cada movimento que está fazendo, se está na posição correta, se estiver correndo prestar atenção se a pisada está adequada… Por isso que quando faço atividade física não uso fone de ouvido nem assisto televisão na academia para não me distrair, executar o exercício de maneira errada e me machucar. Qualquer sinal de desconforto interrompa o exercício!

A Musculação é a atividade que mais melhora a saúde.

À medida que envelhecemos perdemos massa muscular se não fizermos musculação. Isso pode levar à sarcopenia que é um indicador de envelhecimento e causa de doença. Pois quanto mais fraco ficar o corpo, maiores serão as doenças instaladas. E quanto mais recuperar a massa muscular e a força mais saúde irá recuperar.

Se tem dúvida sobre como começar a musculação segue algumas dicas: preste atenção na postura correta; comece com pesos bem leves e aumente gradativamente até atingir o limite tolerável que é a falha muscular; se sentir dor ou algum desconforto pare; não se distraia com o movimento da academia, barulho de música ou televisão; não se comparece com ninguém, o foco é você está melhor hoje do que estava ontem.

Treino Intervalado HIIT (treinamento intervalado de alta intensidade).

Neste tipo de treino você faz o exercício, por exemplo, correr na maior velocidade possível por um período de tempo curto, descansa alguns segundos, e repete este ciclo várias vezes. No método Tabata alterna 20 segundos de exercício intenso com 10 segundos de descanso, 8 ciclos. Quanto mais intenso o exercício melhor o resultado, com aumento da sua capacidade cardiorrespiratória. Aqui vale a recomendação de conversar com seu médico ou educador físico sobre sua aptidão.

Quanto aos exercícios aeróbicos, como corrida, ciclismo, natação , entre outros, estudos tem sugerido que a produção de radicais livres, que inflamam e envelhecem nosso corpo podem ser maiores do que conseguimos nos defender em exercícios longos, superiores a 30 minutos. Então converse com seu médico ou educador físico se quiser começar a treinar para uma maratona sobre os benefícios e eventuais malefícios para o seu templo.

Não sei quando você leu este texto, mas no dia 7 de setembro de 2020 farei uma Live no Instagram abordando a importância da prática de atividade física na saúde. Se perdeu devo deixa-la gravada no Instagram e no YouTube.

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Você sabe o que é bioimpedância?

O peso corporal é a soma de diferentes componentes: água corporal, massa magra, massa gorda. Para manter a saúde é essencial garantir uma composição corporal equilibrada.

Há várias maneiras de avaliar quanto temos de peso, massa magra, massa gorda e água corporal. A bioimpedância, principalmente, as mais modernas, é um método onde obtemos estes valores de maneira rápida, barada e segura.

A medida do IMC (índice de massa corporal), baseada só no peso e altura não é um marcador de saúde tão eficaz quanto os dados fornecidos pela bioimpedância. Analisando só o IMC é possível que duas pessoas com o mesmo peso e altura, sendo uma musculosa e outra obesa, sejam classificadas da mesma maneira, porém, sabemos que a pessoa obesa tende a ser menos saudável que a musculosa.

Água Corporal Total:

A água em nosso corpo está no sangue, músculos, gordura, órgãos e dentro de todas as células do corpo. Para analisar tudo isso é importante saber quanto está fora da célula e dentro da célula. As bioimpedâncias modernas conseguem informar quanto de água há em cada compartimento.

Água Extracelular: Aproximadamente 40% da água corporal total; é a água localizada fora das células, incluindo fluido intersticial, plasma e fluido transcelular. A Água Extracelular é importante pois ajuda a controlar o movimento de eletrólitos, permite que o oxigênio chegue nas células e elimina as toxinas produzidas pelos processos metabólicos. Ter água demais fora das células pode ser um indicativo de inflamação e/ou edema no corpo (retenção de líquido).

Água Intracelular. É a água localizada dentro das células. Em uma pessoa saudável corresponde a, aproximadamente, 60% da água total do corpo. Na Água Intracelular é onde ocorrem importantes processos. Apesar de ter muitas funções, uma das mais importantes é permitir que moléculas sejam transportadas para várias organelas dentro das células.

Pessoas musculosas tendem a apresentar aumento da água intracelular. E também da água corporal total.

Já pessoas edemaciadas, por exemplo, por problema cardíaco ou renal tendem a apresentar aumento da água extracelular.

A taxa metabólica de repouso é a quantidade de calorias que queimamos em repouso. É a quantidade básica de calorias que necessitamos para nosso corpo manter suas funções vitais. Com o aumento da massa magra, ocorre um aumento das necessidades energéticas, que resulta em uma taxa metabólica de repouso maior, o que facilita a manutenção do peso ou mesmo a perda de gordura.

O ganho da massa magra através do exercício tem sido associado a melhora na função do sistema imunológico. Isso ajuda nosso corpo a combater doenças mais facilmente, principalmente, agora em época de pandemia.

Pela bioimpedância podemos ter pistas se estamos inflamados.

Quando ocorre a inflamação, o corpo envia um fluxo adicional de sangue para a área afetada. Isso causa um aumento da água extracelular naquela área em particular.

A inflamação ocorre quando uma parte do corpo sofre danos ou ferimentos e é uma reação normal do organismo ao dano. Essa é chamada de inflamação aguda, que provoca um aumento temporário da água extracelular.

A inflamação crônica, todavia, é algo mais sério que não é sempre prontamente detectada. Ela é acompanhada por um duradouro inchaço ou aumento da água extracelular, causado por uma disfunção celular ou estresse. A inflamação crônica pode levar a sérias doenças, como insuficiência renal, câncer e doenças cardíacas, se permitirmos que persista por muito tempo.

Um ótimo indicador da saúde celular é o Ângulo de Fase. Esta informação pode ser obtida nos equipamentos mais modernos, que mostra, o quanto suas células são saudáveis em comparação com pessoas da sua idade, mostrando se sua idade celular é compatível com sua idade cronológica, podendo ser melhor, igual ou pior do que a sua idade cronológica.

É importante conhecer a relação entre a massa muscular esquelética e a massa de gordura. Quanto mais massa muscular em relação com a massa de gordura, mais forte e mais saudável o corpo.

O percentual de gordura corporal normal no homem está entre 10 e 20% e na mulher está entre 18 e 28%. Com este dado é possível identificar com mais precisão se a pessoa está com sobrepeso ou obesidade, e identificar também o “falso magro”.

Prefira fazer a sua bioimpedância no mesmo aparelho ou aparelho com mesma tecnologia, assim fica mais fácil você perceber como você está evoluindo no seu plano de, por exemplo, ganho de massa muscular esquelética e redução da massa gorda.

Efeitos do jejum intermitente na nossa saúde

Pacientes obesos e com sobrepeso tem sido cada dia mais frequentes no meu consultório. Junto da obesidade vem o risco para o diabetes, dislipidemia, doenças cardíacas e câncer.

Existem várias estratégias para perder peso. Uma delas é o jejum intermitente. Mas será que é só modinha ou a ciência já nos fornece respostas claras sobre seu benefício?

A respeitada revista New England Journal of Medicine publicou uma revisão sobre o assunto no final de 2019. Abaixo um resumo os pontos mais importantes.

A glicose e os ácidos graxos são as principais fontes de energia do nosso corpo. Após uma refeição, a glicose é usada para fornecer energia e os ácidos graxos são acumulados no tecido adiposo como triglicerídeos.

Durante o período de jejum os triglicerídeos são quebrados em ácidos graxos e glicerol que serão usados como fonte de energia.

É no fígado que ocorrer a transformação destes ácidos graxos em corpos cetônicos que serão a principal fonte de energia para vários órgãos, em especial o cérebro, durante o jejum. Quanto estamos alimentados há poucos corpos cetônicos no sangue, porém, após 8 a 12 horas de jejum os níveis começam a aumentar.

Além de ser usada como fonte de energia, os corpos cetônicos regulam a atividade de muitas proteínas e moléculas conhecidas por influenciar a nossa saúde e envelhecimento.

Corpos cetônicos também estimulam a expressão do gene do BDNF, que é o responsável pela neuroplasticidade, com benefícios para a saúde cerebral e desordens psiquiátricas e neurodegenerativas.

Outros benefícios do jejum intermitente: melhora da regulação da glicose sanguínea, pressão arterial, frequência cardíaca, eficácia dos treinos de endurance e perda de gordura abdominal.

O jejum intermitente provoca um “estresse” às nossas células desencadeando uma série de respostas que levam a aumento de antioxidantes, reparo ao DNA, controle da qualidade de proteínas, fabricação de novas mitocôndrias e autofagia das defeituosas e reduz a inflamação.

Implicações para nossa saúde:

Em modelos animais, a alimentação intermitente melhora a sensibilidade à insulina, previne a obesidade causada por dieta rica em calorias e melhora a retinopatia diabética. Na ilha de Okinawa, onde tradicionalmente a população normalmente mantém um regime intermitente de alimentação, as taxas de obesidade e diabetes são baixas e a longevidade alta!

Já do ponto de vista cardiovascular, o jejum intermitente melhora vários indicadores da saúde cardiovascular em animais e humanos, incluindo pressão sanguínea, frequência cardíaca em repouso, níveis de colesteroal bom e ruim, triglicerídeos, glicose, insulina e resistência à insulina.

Além disso, o jejum intermitente reduz marcadores de inflamação sistêmica e estresse oxidativo associados à aterosclerose (obstrução das artérias).

Mais de um século atrás, Moreschi e Rous descreveram o efeito benéfico do jejum e
restrição calórica em tumores em animais. Após realização de vários estudos desde então, acredita-se que o jejum intermitente prejudique o metabolismo energético
nas células cancerígenas, inibindo seu crescimento e tornando-os suscetíveis a tratamentos clínicos. O mecanismo para tal é redução na sinalização da insulina.

Dados epidemiológicos sugerem que o excesso de ingestão calórica, principalmente na meia-idade, aumenta o risco de acidente vascular cerebral, doença de Alzheimer e Parkinson. Acredita-se que o jejum intermitente aumenta a atividade neuronal e resistência ao estresse através de múltiplos mecanismos, incluindo a melhora da função mitocondrial e autofagia, produção de fatores neurotróficos, defesas antioxidantes e reparo do DNA. Além disso, o jejum intermitente melhora a neurotransmissão inibitória pelo GABA, que pode prevenir convulsões e excitotoxicidade.

A perda de peso reduz os sintomas da asma em obesos. Isso ocorre por reduções significativas nos níveis séricos de marcadores de inflamação e estresse oxidativo.

O autor cita também considerações práticas:

Apesar das evidências dos benefícios à saúde do jejum intermitente e sua aplicabilidade a muitas doenças, existem impedimentos à disseminação e adoção desses padrões alimentares na comunidade e pelos pacientes.

Primeiro, uma dieta de três refeições com lanches todos os dias está tão arraigada na nossa cultura que uma mudança nesse padrão alimentar raramente será contemplado por pacientes ou médicos. A abundância de alimentos e a extensa comercialização nos países desenvolvidos também são grandes obstáculos a serem enfrentados.

Segundo, ao mudar para um regime de jejum intermitente, muitas pessoas experimentarão
fome, irritabilidade e capacidade reduzida de concentração durante períodos de adaptção a restrição alimentar. Contudo, esses efeitos colaterais iniciais geralmente desaparecem
dentro de 1 mês, então converse com seu médico e/ou nutricionista de confiança para passar por esta fase.

Terceiro, a maioria dos médicos não é treinada para prescrever intervenções específicas em jejum intermitente. Os médicos podem aconselhar os pacientes a gradualmente,
durante um período de várias semanas a meses, reduzir a janela de tempo durante o qual consomem alimentos todos os dias, com o objetivo de jejuar de 16 a 18 horas por dia. Isse tipo de jejum é relativamente tranquilo, pois, se jantarmos 19:00 horas e tomarmos café da manhã às 7:00 já teremos feito 12 horas de jejum!

Um(a) nutricionista deve ser consultado para garantir que as necessidades nutricionais do paciente estão sendo atendidos e para fornecer aconselhamento e educação. Como em toda intervenção em estilo de vida, é importante que os profissionais forneçam informações adequadas, comunicação contínua e apoio, e reforço positivo regular.

Quer avaliar de maneira mais objetiva como seu corpo está reagindo ao jejum intermitente? Sugiro realizar uma bioimpedância moderna, que forneça informações sobre vários marcadores biológicos: percentual de massa magra, percentual de gordura, água intra-celular e extra-celular e ângulo de fase, este último vai mostrar como anda sua saúde celular.

Estatinas e mortalidade cardiovascular

Um estudo ecológico interessante foi publicado em 2016 no Brithish Medical Journal relacionamento uso de estatinas e mortalidade cardiovascular.

O estudo ocorreu em países europeus e acompanhou a evolução da prescrição e venda de estatinas (drogas que reduzem o colesterol) com mortalidade por doença cardiovascular no período de 2000 a 2012. Os resultados foram interessantes.

Houve uma grande discrepância nos resultados encontrados. Em média os países avaliados nesse estudo tiveram redução média de 40% na mortalidade por doença cardiovascular e um aumento de 400% na venda de estatinas. O interessante é que alguns países essa associação foi comprovada (aumento de uso de estatinas e redução de mortalidade) enquanto em outros o efeito não foi tão evidente (apesar do aumento no uso de estatinas, as mesmas não foram relacionadas a redução de mortalidade cardiovascular na mesma proporção).

Os autores concluem que o aumento do uso de estatinas não correspondeu a redução de mortalidade cardiovascular, o que indica que muitas vezes a indicação das estatinas pode estar ocorrendo para populações consideradas de baixo risco cardiovascular, que não vão ter efetivamente benefício algum com a terapia. O estudo indica que fatores não associados ao risco individual para doença coronariana, como programas governamentais de saúde, guidelines, publicidade e marketing da indústria farmacêutica podem estar guiando esse aumento da prescrição.

Apesar do modelo de estudo não ser o ideal para avaliar causa e consequência (em virtude de ser um estudo ecológico tem suas limitações, já que muitas vezes não é possível atribuir um determinado efeito ao nível de indivíduo) é um trabalho interessante na medida que demonstra que nem sempre as condutas farmacológicas aplicadas refletem o que realmente seria indicado para cada paciente.

O estudo destaca ainda o foco necessário em mudanças de estilo de vida como sendo as medidas de maior impacto e efetividade na mortalidade por doença cardiovascular.

Fonte: BMJ, 2016
Time trends in statin utilisation and coronary mortality in Western European countries

Cuidado! Alimentos ultraprocessados aumentam risco de mortalidade.

Você costuma consumir “comida de pacote”? Então tenho um notícia ruim para você.

Comida de pacote, na verdade alimentos ultraprocessados, são alimentos que passam por processos industriais onde há adição de conservantes, sal, açúcar, realçadores de sabor e texturizantes (como salgadinhos industrializados, conservas de legumes, frutas em calda, enlatados e embutidos por exemplo).

Uma publicação recém divulgada pelo JAMA acompanhou durante 7 anos mais de 45.000 pessoas na França com idade a partir de 45 anos e verificou que a cada incremento de 10% na frequência de consumo de alimentos ultraprocessados houve aumento de 14% no risco de mortalidade.

Segundo o estudo, as causas mais prováveis desse aumento de mortalidade relacionada ao consumo de ultraprocessados se deve ao fato dos mesmos terem elevados níveis de sódio, elevados níveis de açúcar, baixo teor de fibras, presença de compostos cancerígenos (devido ao processo de industrialização que usa altas temperaturas), aditivos químicos potencialmente tóxicos bem como disruptores endócrinos presentes nas embalagens (substâncias que simulam hormônios no nosso organismo).

Costuma consumir esses produtos? Fica então o alerta!

Referências:
Fairchild et al, JAMA Internal Medicine, 2019.

Hábitos alimentares ruins matam mais pessoas que o fumo

Todo mundo sabe que uma alimentação qualitativamente ruim (com muitos alimentos industrializados, muitos conservantes, sódio em excesso e pouco consumo de legumes e frutas) pode levar a doenças como hipertensão, diabetes e até alguns tipos de câncer.

No entanto o real impacto de uma alimentação qualitativamente ruim sobre a expectativa de vida com qualidade e a mortalidade populacional ainda não havia sido avaliada.

Uma pesquisa recente fez uma correlação dos resultados de diversos estudos de larga escala ao redor do mundo nos últimos 27 anos tentando responder a essa questão – quanto uma dieta ruim pode levar a mortalidade e morbidade (fatores que levam a doenças)?

O estudo identificou a correlação entre determinados fatores alimentares (como alto consumo de sódio, baixo consumo de frutas por exemplo) com morbidade e mortalidade em indivíduos com mais de 25 anos de idade e chegou a números assustadores. A mortalidade por má qualidade dietética supera inclusive o número de mortes associadas ao fumo.

O estudo concluiu que uma dieta de má qualidade produziu, apenas em 2017, 11 milhões de mortes e 255 milhões de DALYs (disability-adjusted life-years – que pode ser traduzido como 1 ano a menos de expectativa de vida “saudável”).

Alto consumo de sódio representou três milhões de óbitos, ingesta insuficiente de grãos integrais mais três milhões e baixo consumo de frutas aproximadamente dois milhões de mortes.

A evidência do impacto de má qualidade alimentar como fator promotor de doenças crônicas não transmissíveis e do custo populacional em redução da expectativa de vida “saudável” torna urgente a necessidade de melhoria da qualidade alimentar na população mundial segundo os autores do estudo.

Health effects of dietary risks in 195 countries, 1990–2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017

Complicações do diabetes tipo 2

No post anterior escrevi sobre as complicações microvasculares do diabetes. Hoje escreverei sobre as complicações macrovasculares mais comuns.

Aterosclerose. A aterosclerose é a deposição do colesterol oxidado (modificado) nas artérias que estão inflamadas. Isto leva ao enrijecimento e estreitamento das artérias, reduzindo a chegada de oxigênio e nutrientes para as células irrigadas pela artéria comprometida.

Quando o estreitamento é total ou severo ocorre, por exemplo, o infarto do miocárdio ou angina, no coração, acidente vascular cerebral no cérebro, e a doença vascular periférica nas pernas. O diabético tem um risco muito maior de aterosclerose. Para você compreender mais fácil o quanto o diabetes é grave imagine um paciente sem diabetes que infartou. Pensou? O risco de um diabético ter um primeiro infarto é semelhante ao desta pessoa que já infartou uma vez ter um segundo infarto! Diabetes não é brincadeira! É uma doença silenciosa que quando fala pode ter consequências letais ou incapacitantes!

A aterosclerose vai acontecer em uma região inflamada das artérias. Esta inflamação é favorecida pelo tabagismo, diabetes, estresse, pressão alta e falta de exercícios, ou seja, por situações que você pode mudar através de hábitos de vida saudáveis.

Doenças cardíacas. O infarto do miocárdio é a complicação mais comum e mais temida do diabético. Dados do estudo de Framingham mostram que o diabético tem o dobro de risco de infarto do miocárdio. A maioria dos diabéticos acima de 65 anos morrerá por causa cardíaca ou acidente vascular cerebral. Os demais sobreviventes poderão ser acometidos de incapacitações que restringirão sua qualidade de vida.

Acidente vascular cerebral (AVC). Acontece quando ocorre a obstrução da artéria que irriga o cérebro. Dependendo da artéria comprometida os sintomas variam. Alguns podem apresentar dificuldade para falar, outros para movimentar um lado do corpo, outros perdem a consciência, outros perdem a sensibilidade… O diabético tem um risco 150% maior de apresentar AVC.

Doença vascular periférica. É a obstrução nas artérias que irrigam as pernas causada pela aterosclerose. Geralmente provoca dor, por exemplo, nas panturrilhas, ao caminhar, podendo levar ao longo dos anos a incapacitação. Também contribui para dificuldade de cicatrização de ferimentos nos pés. Se além do diabetes o paciente fumar aí o risco de desenvolver aterosclerose é aumentado ainda mais.

Outras doenças são mais comuns nos diabéticos. O mal de Alzheimer que provoca perda da memória, mudança de personalidade e problemas cognitivos tem sido chamado de diabetes tipo 3 por alguns pesquisadores devido a íntima relação entre diabetes e Alzheimer.

A esteatose hepática também tem sido relacionada com diabetes.

Maior facilidade de ser acometido por infecções, tanto bacterianas como por fungos.

Disfunção erétil é três vezes mais comum nos homens diabéticos do que naqueles não diabéticos. Estima-se que 50% dos homens diabéticos com mais de 50 anos tenham disfunção erétil.

A lista de danos que a glicose elevada, comum nos diabéticos, pode levar é grande. Então converse com seu médico sobre seu risco de tornar-se diabético. A dosagem de glicose no sangue é um dos parâmetros para diagnóstico de diabetes. Para a prevenção há outros exames que seu médico pode solicitar que avaliar o risco de você tornar-se diabético.

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Até o próximo post!

Azeite de oliva pode reduzir fraturas por osteoporose.

Esta é a conclusão de um subgrupo do estudo PREDIMED que avaliou o efeito do consumo de azeite de oliva extra-virgem sobre a incidência de fraturas em pessoas maiores de 50 anos.. 

Mas o que é a osteoporose?  

É uma doença que pode atingir qualquer osso do corpo, tornando-o menos forte pela perda de minerais, em especial, o cálcio. E quanto mais fraco o osso, maior o risco de fraturas ósseas, por exemplo, no fêmur e vértebras, levando a perda da qualidade de vida da pessoa. O grau mais leve de perda de minerais é chamada osteopenia. 

A osteoporose não atinge só as mulheres, homens também podem ser acometidos por ela. 

Estima-se de até 45% dos homens tem perda óssea na densitometria e que 20% dos homens maiores de 50 anos irão apresentar uma fratura relacionada com a osteoporose. 

Mas como a ingestão de azeite de oliva poderia prevenir as fraturas em pessoas com osteoporose? 

O azeite de oliva atua prevenindo duas causas de osteoporose que são a inflamação e o estresse oxidativo. 

O osso normal está em renovação constante através do equilíbrio entre a degradação e formação óssea. Na pessoa com inflamação e/ou estresse oxidativo este equilíbrio é rompido e a destruição óssea é maior que a formação de novo osso, levando a osteopenia e posteriormente a osteoporose. 

O estudo PREDIMED, publicado em fevereiro de 2018, mostrou que as pessoas que mais consumiam azeite de oliva extra-virgem tiveram uma risco de fraturas 51% menor de fraturas em relação aos que consumiam menos. 

Vários artigos foram publicados com os dados do estudo PREDIMED, inclusive com melhoras significativas para a saúde cardiovascular.

Em breve publicarei mais post aqui no blog.

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